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Guia blogueiro para entender as eleições em Israel

gustavochacra

17 Março 2015 | 10h05

Como será a eleição em Israel?

As eleições em Israel ocorrem nesta terça. Ao todo, serão eleitos os 120 membros do Knesset, como é chamado o Parlamento israelense. Nenhum partido terá maioria. Mas, de acordo com pesquisas, a coalizão de centro-esquerda União Sionista, comandada por Isaac Herzog, deve vencer, com 25 cadeiras. O Likud, do premiê Benjamin Netanyahu, deve obter 21 cadeiras.

Qual a chance de Herzog ser premiê?

A vitória de Herzog, no entanto, não garantirá que ele será o premiê. O líder trabalhista precisará montar uma coalizão com outros partidos para conseguir a maioria de 61 cadeiras. Não será uma tarefa fácil. O bloco de centro-esquerda, além da União Sionista, tem o Meretz, com prováveis 5 cadeiras, e o centrista Yesh Atid, do carismático Yair Lapid, com 12. Ao todo, seriam apenas 42 cadeiras.

 Qual a chance de Netanyahu permanecer no poder?

O bloco de direita e dos partidos religiosos, além do Likud, tem o Habayit Hayehudi, do conservador Naftali Bennett, com prováveis 11; o Yisrael Beitenu, de Avigdor Lieberman, com 5; o Yashad, com 4; o Shas (religioso), com 8; a União Judaica Torah (religioso), com 6. Ao todo, 55. Netanyahu, portanto, teria meios para chegar à maioria mesmo perdendo a eleição.

Qual a estratégia de Herzog para conseguir a maioria?

Herzog, por sua vez, dependeria de um acordo com partidos religiosos, mas bateria de frente com membros mais laicos de sua coalizão. Ou tentaria o apoio dos dois partidos fiéis da balança, como o Kulanu, de Kahlon, ex-membro do Likud de Netanyahu, com prováveis 9 cadeiras, ou com a Aliança Árabe, formada por uma heterogênea coalizão de partidos árabes, que deve ter 13 cadeiras.

E a de Netanyahu?

O atual premiê precisaria do apoio de todos os partidos do bloco de direita, mais o do Kulanu.

Existe a chance de um governo de união nacional envolvendo Netanyahu e Herzog?

Sim, e esta possibilidade vem sendo especulada por alguns analistas.

Qual a diferença entre Herzog e Netanyahu?

O certo é que Herzog traria vantagens para Israel em três frentes

1. Palestina – Netanyahu, ontem, disse ser contra a criação de um Estado palestino, indo contra toda a comunidade internacional e adotando a bandeira de ultra radicais israelenses. Já Herzog deve retomar as negociações

2. EUA e Europa – Netanyahu aumentou o isolamento internacional de Israel. As relações entre os governos americano e israelenses estão super deterioradas. Líderes europeus não o suportam. A eleição de Herzog mudaria automaticamente  a imagem de Israel e as relações com Obama se normalizariam

3. Política Doméstica – Netanyahu tem méritos pelo avanço da economia israelense, especialmente na área da tecnologia. Mas o custo de vida para a classe média aumentou e há uma enorme insatisfação com a sua administração

Como é a democracia em Israel?

Para completar, queria deixar claro que Israel é uma democracia multicultural e multireligiosa. Há israelenses nascidos ou descendentes de imigrantes de diferentes partes do mundo, como ocorre no Brasil, EUA e Argentina. Também há judeus e minorias muçulmanas sunitas, cristãs e drusas. Sim, há radicais, assim como em qualquer democracia mundial. Também existe uma ocupação ilegal, segundo a ONU, da Cisjordânia, Colinas do Golã e Jerusalém Oriental, além do controle do espaço aéreo, marítimo e terrestre (em parceria com o Egito) da Faixa de Gaza. Na região, além de Israel, apenas o Líbano e a Tunísia são democráticos, embora o Kuwait, embora ultra-conservador, também tenha certas liberdades.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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