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Há mil formas de criticar o Mufti. Por que Netanyahu escolheu uma errada?

gustavochacra

22 Outubro 2015 | 12h52

Há mil formas de se criticar o Mufti Haj Amin al Husseini. A principal delas é ter sido aliado de Hitler, o maior monstro do século 20, responsável pela morte de dezenas de milhões de pessoas e pelo genocídio de 6 milhões de judeus no Holocausto, centenas de milhares de ciganos no Porajmos, além de um número indeterminado de homossexuais e comunistas.

Esta aliança, por si só, já poderia ser considerada um crime contra a humanidade. Mas o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu ir além e dizer que o Mufti, e não Hitler, teve a ideia de exterminar os judeus. Segundo o primeiro-ministro, o monstro Hitler queria apenas expulsar os judeus. Isto é, para criticar o Mufti, Netanyahu amenizou o papel de Hitler.

Esta declaração de Netanyahu está errada e ofende as vítimas do maior genocídio do século 20 ao amenizar a responsabilidade de Hitler. Sobreviventes do Holocausto condenaram Netanyahu. Historiadores do Holocausto condenaram Netanyahu. A Alemanha assumiu a culpa, refutando Netanyahu. Membros do governo israelense, ainda mais conservadores do que o premiê, também refutaram Netanyahu. As comunidades judaicas nos EUA, no Brasil e em todo o mundo também criticaram Netanyahu.

O gol contra de Netanyahu serviu até para a Autoridade Palestina criticar o premiê por colocar em cheque o papel de Hitler no Holocausto. E os negadores do Holocausto celebraram a declaração de Netanyahu.

Acreditem, Netanyahu é hoje a maior arma do BDS para isolar Israel. E, aos antissemitas de plantão, Netanyahu fez uma declaração que representa o pensamento dele, não o da comunidade judaica, não o de Israel e nem mesmo o do governo israelense.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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