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Há solução para o status final de Jerusalém?

gustavochacra

06 Dezembro 2017 | 12h50

Israelenses possuem a sua narrativa sobre Jerusalém. E varia muito de um para o outro. Os palestinos também têm a deles, que obviamente são diferentes dependendo de quem você conversar. O status da cidade, reivindicada como a sua capital eterna e indivisível, está entre os temas que mais desperta paixão em todo o planeta por ser importante para o judaísmo, islamismo e cristianismo.

Para resumir, Israel reivindica Jerusalém como sua capital eterna e indivisível. A Palestina reivindica a porção oriental da cidade, de maioria árabe, como a sua capital. Os dois lados tentam negociar um acordo sobre o status final de Jerusalém e outros tópicos em disputa, mas ainda não chegaram a um acerto. Trata-se de algo complexo. Hoje, Israel mantém suas instituições governamentais no lado ocidental, majoritariamente judaico. Já a administração palestina fica em Ramallah, uma cidade na Cisjordânia não muito distante de Jerusalém, mas separada por uma barreira que em alguns trechos é um muro e em outros uma cerca.

Minha solução, e longe de mim querer ser o dono da verdade, seria manter Jerusalém como municipalidade unificada. Na prática, já é a capital de Israel. Mas a sede da Presidência da Palestina poderia ficar na parte oriental da cidade, com a administração formal palestina ficando em Ramallah. Israel poderia dizer de que Jerusalém é sua capital e indivisível e os palestinos poderiam dizer que a sua capital está na parte oriental da cidade. Obviamente, é uma solução que não agrada a todos, mas após duas décadas acompanhando o assunto parece ser a mais pragmática. Caso possua outra solução, eu te convido a escrever nos comentários.

Conheci Jerusalém pela primeira vez 1998, em uma road trip que fiz com meus pais e meus irmãos pelo Oriente Médio. Lembro de, indo para a cidade velha, entrarmos em um debate sobre se deveríamos visitar antes a Igreja do Santo Sepulcro ou o Muro das Lamentações e a Esplanada das Mesquitas/Monte do Templo. Conforme escrevi aqui no passado, poucas coisas se igualam a uma sexta-feira em Jerusalém, começando pelos muçulmanos indo rezar na mesquita de Al Aqsa, passando pela procissão dos franciscanos pela Via Dolorosa e se encerrando com os judeus indo rezar no Muro das Lamentações no início do shabat.


Voltei a Jerusalém outras vezes, como turista e como jornalista. Conforme sempre recomendo a amigos que visitam Israel, Palestina e o Oriente Médio como um todo, evite dar as suas opiniões políticas. Escute o que dizem os israelenses e os palestinos. Converse com o maior número de pessoas. Não há um lado certo ou errado. Há argumentos fortes para defender a narrativa israelense e a palestina. Sua experiência será mais enriquecedora.

Hoje veremos uma série de opiniões e brigas envolvendo a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e a decisão dele de transferir a embaixada, atualmente em Tel Aviv, para a cidade nos próximos anos. Será um divisor de águas com enormes consequências diplomáticas e um provável colapso do já moribundo processo de paz. Há risco de violência, mas talvez haja calma. Somente saberemos nas próximas horas. Em outros textos e na TV, abordarei mais o assunto.

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