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Manifestantes muçulmanos não entendem a Primeira Emenda e confundem EUA com Europa

gustavochacra

20 Setembro 2012 | 10h36

No mundo árabe e islâmico existe uma confusão sobre a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Por falta de informação ou manipulação, muitos acreditam que esta apenas impede ataque contra judeus e cristãos, mas permite contra muçulmanos.

Na verdade, a Primeira Emenda garante a liberdade de expressão e a liberdade religiosa nos EUA. Todas as religiões podem ser criticadas ao ponto de existir um partido nazista americano, negadores do Holocausto e mais uma série de imbecis pregando idiotices. De qualquer maneira, é uma regra para todos, não apenas para alguns.  É um peso e uma medida.

O Brasil adota uma postura distinta e considera crime anti-semitismo, islamofobia e racismo. Também é um peso e uma medida para todos. Não se pode ofender muçulmanos nem judeus.

Por outro lado, em nações como a França, existem leis específicas que protegem algumas religiões. Por exemplo, é proibido negar o Holocausto. Mas podem satirizar o profeta Maomé, ofendendo muçulmanos, como as totalmente vulgares charges publicadas desnecessariamente em um momento tenso como este por uma revista francesa. São duas coisas distintas, eu sei, mas no mundo islâmico entendem como dois pesos e duas medidas.


Os franceses não são os americanos, como eles gostam de se gabar. Eles não têm tanta liberdade como nos EUA. Pior, não permitem, como nos EUA, a liberdade religiosa.

Para completar, na maior parte dos países árabes, e uso o Egito como exemplo, há uma série de charges e vídeos ofendendo os judeus e as autoridades nada fazem. Portanto, eles sim adotam dois pesos e duas medidas. Condenam a islamofobia no Ocidente, mas não impedem o anti-semitismo em seus territórios.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra