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Mesmo antes da eleição, já sabemos quem perdeu a eleição na França

gustavochacra

22 Abril 2017 | 10h20

Há quatro candidatos com chance de serem eleitos presidente da França. Na extrema direita nacionalista, Marine Le Pen. Na direita, Fillon. No centro, Macron. Na extrema esquerda, Melenchon. A centro-esquerda tradicional, atualmente no poder com Hollande, é um fracasso total. O presidente, com popularidade abaixo de 10%, sequer tentará a reeleição. O candidato de seu partido deve ficar em um distante quinto lugar.

Mesmo antes do resultado, sabemos que a centro-esquerda socialista é a maior perdedora destas eleições. Isso não se discute. Sabemos também que os conservadores tradicionais venceriam esta eleição com facilidade não fosse o escândalo de corrupção envolvendo Fillon. E mesmo assim ele tem chance. Sabemos que há espaço para a candidatura independente centrista de Macron, reunindo órfãos dos dois grupos tradicionais da centro-esquerda e da centro-direita. Sabemos também que a extrema esquerda ainda não morreu e na verdade vem se fortalecendo, como vemos com Melenchon.

Mas sabemos acima de tudo que a extrema direita nacionalista da Frente Nacional não é um modismo. Marine Le Pen pode até não ir para o segundo turno, embora isso seja improvável e ela esteja entre os favoritos, com chance de ser a primeira mulher presidente da França. Sua ideologia hoje está no mainstream da França. Diferentemente do “trumpismo”, Le Pen tem grande apoio entre os jovens, o que indica que tende a persistir em futuras eleições. Caso ela não consiga se eleger agora, tenham certeza de que sua jovem sobrinha e muito mais carismática Marion Marechal-Le Pen terá chance ainda maior no futuro. A questão da imigração e do terrorismo não se encerrará na França independentemente do resultado das eleições deste domingo.

E quem é responsável por este fortalecimento da Frente Nacional e do sentimento anti-imigrante e islamofóbico na França? Os responsáveis são aqueles que disseminam a ideologia jihadista oriunda do wahabismo que incentiva ataques terroristas, o extremismo religioso e a intolerância. Este radicalismo bate de frente com o secularismo francês. A reação se dá por meio do aumento da islamofobia. Notem, não havia esta discussão em eleições francesas nos anos 1980 e nos 1990. Por que há agora? Quem dissemina o extremismo islâmico, destruindo correntes mais tolerantes do islamismo? Preciso citar o nome daquela nação extremista religiosa, produtora de petróleo e maior aliada dos EUA e das nações ocidentais no mundo islâmico? Os muçulmanos moderados pedem ajuda ao serem esmagados pelo islamofascimo de um lado e pela islamofobia do outro. Estes muçulmanos, que integram a maior parte da comunidade islâmica da França, também são perdedores na eleição francesa mesmo antes de abrirem as urnas. Infelizmente. Os radicais do ISIS venceram.


Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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