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Não estaria na hora de os palestinos elegerem outro presidente?

gustavochacra

26 Outubro 2015 | 12h56

Os palestinos precisam urgentemente realizar eleições e decidir se querem manter Mahmoud Abbas como presidente ou se querem um novo nome. A última eleição presidencial palestina ocorreu em 2005 e Abbas foi eleito para um mandato de 4 anos, que se encerraria em 2009.

Independentemente da visão que se tenha de Abbas, hoje ele não representa mais a população palestina e seu mandato entrou na ilegalidade há seis anos. Pesquisa realizada pelo Palestinian Center for Policy and Survey Research, de Ramallah, indica que dois terços da população palestina defende a renúncia de Abbas.

E quem está em primeiro nas pesquisas? Marwan Barghouti, um líder palestino laico do Fatah, hoje na prisão em Israel por envolvimento na segunda Intifada. Barghouti desfruta de enorme popularidade, tem carisma, defende a solução de dois Estados e tem uma visão do conflito similar à de Abbas, com a diferença de não estar enfraquecido. E o Hamas sabe que não há como vencer Barghouti em eleições. Tanto que nunca pediu, em suas trocas de prisioneiros, que ele fosse libertado.

Não estaria na hora de Israel libertar Barghouti, um líder palestino popular, a favor dos dois Estados e que bate de frente com o Hamas? Às alternativas a ele seriam um impopular Abbas, o Hamas ou uma juventude palestina defendendo uma solução de dois Estados.

Obs. Eleições para o Conselho Legislativo Palestino (CLP), equivalente ao parlamento, não ocorrem desde 2006. Na época, o Hamas venceu. EUA e Israel não reconheceram o resultado. Posteriormente, Hamas e Fatah romperam e o CLP não se reúne desde 2007. Alguns de seus membros estão presos em Israel. De qualquer maneira, o poder do CLP é bem inferior ao do presidente.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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