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O Brasil e o Mundo eram piores em 1982 ou em 2015?

gustavochacra

22 Abril 2016 | 13h12

É natural que, ao longo de nossas vidas, passemos por momentos ruins e bons. Com o mundo e os países também ocorre o mesmo. E muitas vezes exageramos, sem querer, imaginando que o presente seria o pior ou o melhor momento de todos os tempos. Dizemos que esta crise será insuperável ou que um momento bom jamais será interrompido.

Então vamos viajar para o começo dos anos 1980. A inflação nos EUA era de 12% ao ano, ou seis vezes maior do que hoje. O país estava em recessão. A taxa de desemprego estava em dois dígitos. Juros altíssimos. Isso tudo nos EUA. Um país no Oriente Médio (Líbano) vivia uma sanguinária guerra civil envolvendo vizinhos como Israel e Síria. Centenas de marines americanos eram mortos em um atentado terrorista em Beirute. Também explodiram a embaixada americana e sequestraram uma série de cidadãos americanos. Irã e Iraque travavam uma guerra regional. Aliás, o Irã havia acabado de passar por uma revolução derrubando um aliado dos EUA. Dois outros aliados americanos – Argentina e Reino Unido – entravam em guerra pelas Malvinas/Falklands. A América Central lidava com três guerras civis e dezenas de milhares de mortos. A epidemia da AIDS surgia e ninguém tinha noção do alcance ou de perspectiva de cura. Nova York era uma das cidades mais violentas do mundo. Reagan chegou a ser baleado.

No Brasil, vivíamos um período de hiperinflação. A imprensa sofria censura. Não podíamos votar para presidente. Um general, eleito indiretamente, governava o país. Quase tudo era estatal. Até tênis Nike Air tinha de ser contrabandeado do Paraguai. Ninguém usava cinto de segurança nos carros. A economia iniciava a década perdida com um calote. O sistema público de saúde era bem pior do que o SUS. Uma linha telefônica fixa custava o preço de um carro, que eram bem precários nesta época.

A maior parte destas crises foi superada. O Líbano se reergueu e reconstruiu Beirute. Longe de estar perfeito e enfrenta crises constantes, inclusive agora. Os EUA, de Ronald Reagan, se recuperaram na economia e o então presidente terminou o mandato praticamente vitorioso na Guerra Fria contra a União Soviética. O tratamento para a AIDS avançou e hoje muitos conseguem viver por décadas. A Argentina ficou democrática. Nova York se tornou a grande cidade mais segura dos EUA. No Brasil, a hiperinflação acabou. A imprensa é livre. Há democracia e Justiça independente. Sim, enfrentamos uma crise política, uma econômica e o maior escândalo de corrupção. Mas tenham certeza de que estamos melhores do que em 1982.


Obs. Não entrei no mérito da Seleção Brasileira neste texto. Obviamente, era muito melhor em 1982

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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