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O Dilema de Obama no Irã depois de Teerã recusar mais uma vez um acordo

gustavochacra

04 Novembro 2009 | 00h25

Mais uma vez, o regime iraniano volta atrás e rejeita uma oferta de acordo do sexteto, que congrega os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha. No fundo, todos sabem existir duas possibilidades para o Irã, incluindo o presidente Barack Obama. Na primeira, se os EUA seguirem pela via diplomática, como agora, o regime de Teerã, em algum momento, desenvolverá a capacidade de produzir uma bomba atômica. Pode até não fabricá-la, mas possuirá todos os meios necessários para ser um membro do clube nuclear, ainda que não tão bem vindo pelos demais sócios. Não há embargo econômico ou político que impedirá este resultado.

Caso isso aconteça, dois poderão ser os resultados e o chefe da Casa Branca terá de acreditar em uma de duas correntes distintas. Uma delas considera o regime do Irã louco e que atacará Israel na primeira oportunidade. Também provocaria uma corrida armamentista na região. A outra prevê um cenário mais próximo ao da Guerra Fria, com os iranianos usando a bomba como forma de dissuasão. Não faria sentido o Irã bombardear Israel, já que matariam também palestinos e, em alguns minutos, Israel e os EUA destruiriam praticamente todas as cidades iranianas com mais de cem mil habitantes. Tampouco prevêem que o Egito e a Arábia Saudita busquem o poderio nuclear, afinal os dois países não foram adiante quando Israel a adquiriu.

Na segunda alternativa, os EUA defenderiam uma ação militar. Poderia ser de Israel ou dos próprios americanos. Os defensores desta saída argumentam que o programa iraniano seria destruído ou, pelo menos, adiado por décadas. Com ações cirúrgicas, dizem, o número de mortes de civis seria baixo. Já os críticos dizem que, no máximo, a operação ganharia alguns anos antes que Teerã tivesse a bomba. Outros acrescentam que nada justifica a morte de pessoas em um ataque preventivo. Há ainda o risco de eclosão de uma guerra regional, com o uso do Hezbollah, fechamento do golfo Pérsico e sabotagens no Iraque.

A decisão é de Obama.