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O Poker de Israel, Líbano e Hezbollah

gustavochacra

08 Novembro 2009 | 14h37

Um empresário libanês abriu uma escola de poker em Beirute com o nome de “Game Theory”, ou teoria dos jogos. Na sua visão, esta modalidade do baralho envolve mais habilidade do que sorte. Claro, não dá para descartar o inesperado em uma partida de cartas. De uma certa forma, a descrição do empresário libanês sobre o poker serve como metáfora do cenário político libanês, onde acabou de ser formada uma nova coalizão do governo.

Depois de cinco meses, o premiê designado Saad Hariri conseguiu montar uma administração de união nacional. Serão 15 ministérios para a aliança liderada por ele, denominada 14 de Março, composta por sunitas ligados aos EUA e Arábia Saudita, cristãos radicais e a maioria dos druzos; dez para a opositora 8 de Março, dos cristãos populistas (ou moderados), xiitas do Hezbollah e da Amal e minorias sunitas e druzas; e cinco indicados pelo presidente Michel Suleiman, que seria o fiel da balança.

Honestamente, não havia outra solução aparente para o Líbano. Em uma partida de poker, com as cartas dadas, esta era praticamente a única opção que impediria a permanência do país no limbo. Os libaneses sabem que são uma nação sectária e é impossível ignorar a população xiita, que representa 33% do total, e pelo menos metade dos cristãos, que compõe um terço.

Ao mesmo tempo, é uma aposta. Caso o Hezbollah provoque, os israelenses ameaçam atacar todo o Líbano com o argumento de que a organização xiita integra a coalizão de governo. Um verdadeiro jogo de poker.