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OLP ameaça decretar a independência palestina; qual seria a reação dos países?

gustavochacra

15 Novembro 2009 | 13h46

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) ameaça proclamar a independência da Palestina, sem o consentimento de Israel. O premiê Salam Fayyad diz, por sua vez, que a Autoridade Palestina deve trabalhar em um processo de dois anos com o objetivo final de criar um Estado independente. O Estado palestino ficaria dentro das fronteiras pré-1967, o que incluiria a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Jerusalém Oriental seria a capital.

A iniciativa se deve à frustração com o governo de Barack Obama, que voltou atrás na sua exigência de que Israel congele a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. O presidente Mahmoud Abbas anunciou que não concorrerá nas adiadas eleições presidenciais e acrescentou que pode até mesmo renunciar diante da mudança da postura americana.

Israel, obviamente, rejeitaria a independência palestina e a perspectiva de paz afundaria ainda mais. Por outro lado, todos os países do mundo teriam de tomar uma posição, como aconteceu quando Kosovo decretou a independência da Sérvia. Na época, os EUA aceitaram o novo Estado.

No caso palestino, dá para especular o que poderia acontecer

EUA – certamente rejeitariam a independência do novo Estado. Porém fariam o máximo para levar os dois lados de volta para a mesa de negociações

França e Inglaterra –
adotariam posições próximas às dos EUA, dizendo que as aspirações palestinas são legítimas, mas a independência deve ser acordada com Israel

Jordânia – Reconheceria imediatamente o novo Estado, mas sem colocar em risco as relações com Israel

Egito – Fecharia suas fronteiras com Gaza e diria que o problema envolve israelenses e palestinos e não tem nada a ver com o Cairo. No máximo, para puxar o saco americano, se ofereceria como mediador

Líbano – Imediatamente reconheceria o novo Estado, mas alertaria para a questão dos 400 mil refugiados no território libanês

Síria – Provavelmente, criaria a primeira Embaixada palestina no exterior, celebrando o novo Estado. Claro, isso se as negociações com Israel sobre o Golan não estiverem avançadas. Neste caso, poderia tentar, por baixo dos panos, demover os palestinos da decisão

Irã –
Obviamente, reconheceria o Estado palestino, mas diria que terras palestinas, onde hoje está o Estado de Israel, ainda são ocupadas

Arábia Saudita e países do golfo – Afirmariam que esta é uma oportunidade para Israel reconhecer o Estado palestino nas fronteiras pré-1967 e estabelecer relações com todo o mundo árabe

China – Intensificaria as relações comerciais com os palestinos e, se possível, também com os israelenses. Mas manteria a cautela, pois não pode abrir um precedente para Taiwan

Rússia – Uma guerra sempre é bem vinda para elevar o preço do petróleo e a venda de armas. Portanto, independentemente do que Moscou falar, a torcida será por um conflito

Brasil – No governo Lula, provavelmente, o Brasil teria a mesma posição que a França, talvez ressaltando o fracasso americano e israelense de levar adiante o estabelecimento de um Estado palestino