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Por que a Primavera Árabe deu certo na Tunísia?

gustavochacra

09 Outubro 2015 | 14h51

O prêmio Nobel da Paz foi para um quarteto formado por sindicatos de trabalhadores, indústria, advogados e uma liga de direitos humanos na Tunísia por terem evitado o colapso da transição democrática. E muitos me perguntam porque a Primavera Árabe deu certo apenas na Tunísia, que é um dos raros países árabes democráticos, além do Líbano – Iraque, Marrocos e Kuwait também possuem liberdades democráticas. Eu diria que há quatro principais razões.

Primeiro, as instituições sempre foram mais fortes na Tunísia do que países como a Síria e a Líbia. As Forças Armadas e a Justiça desfrutavam de relativa independência mesmo durante a ditadura de Ben Ali.

Em segundo lugar, a Tunísia não possui problemas sectários. Cerca de 99% da população é muçulmana sunita. A Síria, o Yemen e o Iraque são multisectários, por exemplo. Não há riscos de conflitos religiosos como em outras nações árabes. Além disso, é uma nação pequena, com 11 milhões de habitantes.

Terceiro, a Tunísia possui uma classe média educada e avançada para padrões regionais. Existe igualdade entre homens e mulheres desde os anos 1950. O aborto foi legalizado nos anos 1960 – o Brasil ainda não permite. Os tunisianos, assim como os libaneses, sempre tiveram uma proximidade cultural com os europeus.

Quarto, não houve intervenção estrangeira. A população tunisiana quis acabar com o regime e conseguiu sem precisar de apoio internacional, como aconteceu na Líbia.

Vale lembrar que a Tunísia enfrenta problemas, como o crescimento do terrorismo, com atentados contra um museu e um resort. Transições para a democracia são sempre complicadas. Mesmo na América do Sul, houve grandes dificuldades.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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