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Por que Brasil não foi incluído na viagem do secretário de Estado dos EUA?

gustavochacra

05 Fevereiro 2018 | 14h50

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, não incluiu o Brasil na sua viagem pela América Latina. Estão na lista a Argentina, Peru, Colômbia, México e Jamaica. Não dá para dizer que o motivo da não inclusão seja a realização de eleições neste ano. Afinal, haverá votações para presidente no México e na Colômbia. Tampouco pode-se dizer que haja um sentimento “anti-Trump” entre os brasileiros porque a popularidade do presidente americano certamente é maior no Brasil do que no México e na Argentina. Por último, não tem como afirmar que a relação entre os governos brasileiro e americano seja ruim porque basicamente não há atrito algum.

O Brasil não entrou no roteiro porque o país perdeu importância geopolítica nos últimos anos. Tem sim bastante impacto como ator econômico global, como vimos em Davos. É uma das maiores economias do mundo, apesar dos anos seguidos de crise. O que chama a atenção, porém, é que o Brasil perdeu força diplomática. Lembro que era importante ter o apoio brasileiro em temas como Irã, Líbia e Síria. Hoje, sequer nos perguntam a opinião sobre a Venezuela.

Aliás, o regime venezuelano está no centro da agenda de Tillerson. O secretário de Estado americano especulou sobre a possibilidade de sanções ao petróleo venezuelano. O governo de Macri, no entanto, embora corretamente condene o regime de Maduro, avalia que a medida poderia prejudicar a população venezuelana. O certo, porém, é que a Venezuela, vizinho do Brasil, deixou de ser uma nação democrática e passa por uma crise humanitária similar a nações em guerra. Basta ver a fome e o crescimento no número de refugiados em Boa Vista. Mas, nem assim, parece que querem saber a opinião do Brasil. Já a Argentina, que passou anos ignorada, aos poucos consegue ganhar um pouco mais de importância.