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Por que ninguém entende mais de Oriente Médio do que Assad?

gustavochacra

21 Outubro 2015 | 14h19

Bashar al Assad sempre consegue dar a volta por cima. Hoje apareceu sorridente em Moscou ao lado de Vladimir Putin, mais uma vez demonstrando que consegue superar as previsões de que estaria acabado.

1. Primeiro, antes mesmo de assumir ao poder, no ano 2000, muitos apostavam que Assad não tinha força para suceder seu pai. Sucedeu.

2. Em segundo lugar, ao redor de 2001, muitos diziam que a velha guarda do regime não toleraria as suas aberturas e iria derrubar Assad. Não derrubaram, embora a abertura tenha continuado apenas na economia, sendo eliminada na política

3. Terceiro, em 2003, depois da invasão americana ao Iraque, diziam que Assad seria o próximo da lista de George W. Bush depois de Saddam Hussein. Não foi

4. Quarto, quando as tropas sírias foram forçadas a desocupar o Líbano em meio à “Revolução dos Cedros” de 2005, diziam que Assad não conseguiria se sustentar no poder em Damasco. Conseguiu

5. Quinto, em 2007, depois de Israel bombardear uma instalação supostamente nuclear na Síria, diziam que isso enfraqueceria Assad domesticamente. Não enfraqueceu

6. Sexto, no início da crise síria, diziam que Assad seria o próximo a ser deposto depois de Ben Ali, Mubarak, Kadafi e Saleh. Não foi

7. Sétimo, em 2012, quando um obscuro atentado matou a alto cúpula de poder em Damasco, diziam que Assad tinha os dias contados. Estes dias já passaram de mil

8. Oitavo, em 2013, quando Assad foi acusado de usar armas químicas na Guerra da Síria, diziam que os EUA iriam bombardear o regime. Não bombardearam

9. Nono, em 2014, com o fortalecimento do ISIS, diziam que Assad não conseguiria conter o avanço do grupo, que chegaria a Damasco. Não chegou

10. Décimo, neste ano, com o regime saudita e os governos da Turquia e do Qatar apoiando mais abertamente milícias radicais da oposição, como a Al Qaeda na Síria (Frente Nusrah), afirmaram que Assad resistira apenas meses. Hoje, ele está forte novamente.

Algumas lições precisam ser aprendidas no Oriente Médio. Uma delas é que Assad talvez entenda melhor do que ninguém como funciona a região. Diria que, hoje, talvez supere até mesmo seu eterno algoz, o líder druso libanês Walid Jumblatt. Putin entendeu esta lição.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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