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Por que o Irã fez um patético gol contra ao boicotar Israel no futebol?

gustavochacra

11 Agosto 2017 | 12h11

O regime iraniano cometeu um enorme e patético gol contra. Suspendeu dois jogadores da seleção do Irã de futebol porque eles atuaram por uma equipe grega contra o Macabi Tel Aviv de Israel, ferindo um grotesco boicote aos israelenses na área esportiva. A atitude revoltou grande parte da torcida iraniana, que será a maior prejudicada. Afinal, dois dos maiores jogadores do país foram banidos.

Um deles é Masoud Shojaei, capitão da seleção do Irã. Experiente, tem 33 anos e foi fundamental para o time iraniano conseguir se classificar para a Copa do Mundo na Rússia em uma excelente campanha. O outro é Ehsan Haji Safi, que também é jogador da seleção. Ambos são atletas do clube grego Panionios.

Este boicote esportivo, que eu considero errado, se inspira no boicote à África do Sul durante o regime do Apartheid e no dos EUA às Olimpíadas de Moscou e dos soviéticos às Olimpíadas de Los Angeles. Mas me questiono o motivo de o Irã boicotar Israel, mas não boicotar a Arábia Saudita, que é o maior inimigo dos iranianos, onde há um apartheid contra mulheres e minorias religiosas, incluindo os xiitas – religião oficial do Irã.

Tampouco vejo muita lógica no conflito entre Israel e Irã. Os dois países não possuem disputas fronteiriças, suas economias poderiam ser complementares e a comunidade judaica no território iraniano é mais bem tratada do que em qualquer nação da região. É diferente de palestinos e israelenses, que disputam território. A função do Irã deveria ser ajudar a negociar uma resolução do conflito, não incitar ainda mais. E, ainda que tenha críticas a Israel, como no caso da ocupação da Cisjordânia, isso não significa que deva boicotar, especialmente no esporte e na cultura.


Que fique claro, pelos depoimentos em redes sociais em apoio aos dois atletas, a maior parte da população do Irã não concorda com a decisão do regime de Teerã de punir os atletas. Seria como o Brasil banir Neymar e Gabriel Jesus da seleção por motivos políticos um ano antes da Copa. Foi um gol contra no qual os maiores prejudicados são justamente os iranianos.

Em vez destas bobagens, bem que o Irã poderia organizar um torneio reunindo o Persepolis (maior time do Irã), o Macabi Haifa (melhor time de Israel e com jogadores judeus e muçulmanos), o New York Football Club (cidade com expressivas populações judaicas e muçulmanas), o West Ham (time celebre de Londres, onde o prefeito é muçulmano e combate o antissemitismo), Ahli Al-Khaleel (melhor time palestino), o Palestino (time do Chile) e até a Hebraica de São Paulo com uns reforços do Palmeiras (time mais tradicional do Brasil). Seria fantástico. Bem melhor do que o gol contra de suspender os jogadores.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão, comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York e colunista do jornal O Globo, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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