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Por que o ISIS fez atentados terroristas no Irã?

gustavochacra

07 Junho 2017 | 13h00

O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, atacou desta vez o Irã em uma ação envolvendo homens-bomba e militantes com fuzis. Foram 12 mortos nos ataques contra o Parlamento em Teerã e o mausoléu do aiatolá Khomeini, fundador do atual regime islâmico xiita. A ação do ISIS, que segue a vertente ultra radical wahhabita do islamismo sunita, ocorre dias após o atentado em Londres e uma semana depois do atentado contra uma sorveteria em Bagdá – a ação terrorista em Cabul, com 150 mortos, está associada ao Taleban.

Era óbvio que o Irã em algum momento seria alvo. O regime de Teerã é uma das nações mais envolvidas na luta contra o ISIS, enviando suas forças para o Iraque e para a Síria e apoiando as forças armadas e milícias destas duas nações. Com um serviço de inteligência sofisticado, os iranianos vinham conseguindo evitar estas ações terroristas. Mas, desta vez, fracassaram.

Cabe, neste momento, a todas as nações condenarem os atentados em Teerã. Os mortos pelo terrorismo do ISIS no Irã são tão vítimas como os mortos do terrorismo do ISIS em Londres. Não condenar o ataque equivale a ser conivente com esta que se tornou a maior organização terrorista do mundo, superando a Al Qaeda.

Pode-se e deve-se criticar o regime do Irã. Ao mesmo tempo, temos de ser solidários com a população iraniana, especialmente quando esta é alvo do terrorismo. Há um argumento de que os terroristas do ISIS não gostam do estilo de vida ocidental. Pode ser e não duvido que este seja um dos fatores nos atentados na Europa. Mas as maiores vítimas do ISIS estão no mundo islâmico – no Iraque, mais especificamente. E o Iraque, convenhamos, não é ocidental (no caso do Brasil, há uma discussão, pois os brasileiros se consideram ocidentais, embora muitos europeus e americanos não nos considerem). O mesmo vale para o Irã, apesar de sua sofisticada e cosmopolita classe média e elite.


Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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