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Por que o ISIS prioriza ataques a muçulmanos do Iraque e destrói mesquitas?

gustavochacra

21 Junho 2017 | 17h24

Uma das mais importantes mesquitas de todo o mundo islâmico foi destruída em pleno mês sagrado do Ramadã pelos terroristas do ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. A mesquita de Al Nuri era a maior de Mosul, segunda cidade do Iraque e com algumas regiões ainda sob controle do ISIS. Foi construída há mais de 800 anos e seu minarete possuía cerca de 50 metros de altura.

Seria o equivalente ao ISIS destruir a catedral de Notre Dame em Paris ou a St. Patrick em Nova York. A destruição ocorre em um momento que a organização terrorista está na defensiva em Mosul, última grande cidade iraquiana onde ainda tem presença. As Forças Armadas Iraquianas e a confederação de milícias Frente de Mobilização Popular, com o apoio do Irã e dos EUA, estão na vanguarda da luta contra o ISIS.

Este grupo terrorista, embora realize ataques no Ocidente, tem como principal foco o Iraque. O país é o maior alvo dos atentados do ISIS, sendo palco de dezenas ou mesmo centenas de ataques terroristas. Em 2015, o ISIS chegou a controlar, além de Mosul, as cidades de Ramadi, Tikrit e Fallujah. Todas já estão nas mãos das forças iraquianas.

Apenas para frisar mais uma vez, as principais vítimas do ISIS são os próprios muçulmanos; e os soldados e milicianos no campo de batalha lutando contra o ISIS também são muçulmanos. Portanto não caiam no conto de que “os muçulmanos não fazem nada para combater o terrorismo”. Fazem e pagam com a própria vida.


O foco no Iraque se deve, primeiro, ao fato de o ISIS ter nascido no país. Afinal, é derivado de uma aliança da Al Qaeda com antigos membros do regime de Saddam Hussein que, embora fossem inimigos desta rede terrorista no passado, se radicalizaram nas prisões durante a ocupação americana e se aliaram a eles. Em segundo lugar, o governo iraquiano é aliado do Irã e dos EUA, que são dois dos maiores inimigos do ISIS, mesmo sendo inimigos entre si.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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