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Por que a vitória de Netanyahu pode isolar Israel?

gustavochacra

18 Março 2015 | 01h22

Benjamin Netanyahu, um dos mais hábeis políticos do mundo na atualidade, venceu as eleições em Israel e deve conseguir formar uma coalizão com partidos de direita, extrema direita e religiosos, permanecendo no cargo de premiê. Sua vitória surpreendeu, já que nos últimos dias o líder da coalizão de centro-esquerda União Sionista, Isaac Herzog, era visto como favorito.

Esta vitória de Netanyahu deve isolar ainda mais Israel na comunidade internacional. Os israelenses terão um líder que abertamente diz não aceitar a criação de um Estado palestino, batendo de frente com os Estados Unidos, com a União Europeia, com a ONU e com praticamente todas as nações mundiais. Até um dia atrás, Netanyahu dizia ser a favor de um país para os palestinos. Alguns afirmam que se trata de estratégia, para atrair votos de rivais na direita. Pode ser, mas a frase ficará para a história. Os palestinos a usarão eternamente para responsabilizar Israel por fracassos no processo de paz.

Esta vitória de Netanyahu deve aprofundar ainda mais a deteriorada relação com o governo de Barack Obama nos EUA. O líder americano não suporta o premiê israelense, que o desrespeitou abertamente ao condenar a sua política externa no Congresso americano em discurso agendado com os republicanos sem consultar a Casa Branca (lembro que 80% dos judeus americanos votaram em Obama).

Esta vitória de Netanyahu deve, por fim, levar a Autoridade Palestina a tentar processar Israel no Tribunal Penal Internacional. Os palestinos, em breve, devem começar a buscar o objetivo de lutar pela cidadania israelense, já que o próprio premiê de Israel não aceita mais a criação da Palestina.


Israel finalmente terá de optar por duas de três características – ser judaico, ser democrático e ter todo o território (incluindo a Cisjordânia e Jerusalém Oriental). Pelo visto, há um risco de Netanyahu escolher ser judaico e ter todo o território, deixando de lado a democracia. Afinal, se ele criticou os eleitores árabes de Israel, é totalmente impossível imaginar que ele concederia cidadania para os palestinos.

Talvez apenas o Egito e a Arábia Saudita, entre os grandes países do mundo, tenham celebrado a vitória de Netanyahu. Os egípcios são os principais aliados dos israelenses no mundo. Os sauditas compartilham do mesmo temor de uma bomba atômica iraniana.

Isaac Herzog estava preparado para retomar as negociações com os palestinos, restaurar as relações com Obama, voltar a se aproximar da Europa, intensificar a integração dos árabes-israelenses e melhorar a economia de Israel. Será uma importante força de oposição.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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