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Por que os EUA demoraram tanto tempo para agir na crise em Honduras

gustavochacra

01 Novembro 2009 | 10h59

A crise em Honduras lembra os filmes de Velho Oeste. No meio do impasse, a cavalaria americana chega e resolve a questão, após várias tentativas fracassadas. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, não conseguiram obter um acordo entre o presidente deposto, Manuel Zelaya, e o governo de facto de Roberto Micheletti.

Foram quatro meses de idas e vindas, com a ameaça de Zelaya de voltar ao país e, depois, entrar escondido, por terra, e se abrigar na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Washington, durante todo o período, manteve a posição de que a deposição de Zelaya havia sido um golpe e tomou medidas como a suspensão dos vistos para os integrantes do governo de facto.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o presidente americano, Barack Obama, deram declarações sobre a crise, mas o governo insistiu que a solução deveria ser pela via multilateral.

Nesta semana, finalmente, a cavalaria entrou em ação e uma missão, comandada pelo subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, foi enviada por Hillary para negociar com os dois lados.

Em poucos dias, Shannon conseguiu um acordo. É verdade, como disseram analistas ao Estado, que até um novo presidente assumir, tudo é possível. O acordo, contudo, pelo menos por enquanto, é considerado a melhor notícia desde a eclosão da crise.

A pergunta que muita gente se faz é sobre o porquê da demora de Washington em agir. Questionei três analistas sobre o assunto.

Michael Shifter, do Inter-American Dialogue e da Universidade Georgetown –
“Acredito que os EUA esperavam que a crise fosse ser resolvida com a OEA. Eles resistiram e não quiseram se envolver”

Heather Berkman, da consultoria de risco político Eurasia – “os EUA estavam preocupados com temas mais importantes na política externa. Além disso, essa é uma nova maneira de se relacionar com o continente, com uma posição menos dominante”.

Christopher Sabatini, do Council of Americas – “O governo Obama não tinha uma equipe de América Latina lidando com o assunto”

* Baseado em reportagem minha publicada na edição impressa do Estadão