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Por que Paulo Orlando é um herói para nós brasileiros que vivemos nos EUA?

gustavochacra

28 Outubro 2015 | 13h21

Tom Jobim e Pelé são alguns dos brasileiros que fizeram sucesso nos Estados Unidos. Há também artistas plásticos, escritores, executivos, médicos, físicos e publicitários que alcançaram sucesso em Nova York, San Francisco, Dallas e Boston. Mesmo jogadores de basquete se tornaram destaques, como o Varejão em Cleveland (e meu amigo Marcelinho Huertas no Lakers). Mas todos eles atuam ou atuavam em áreas onde o Brasil possui tradição.

Paulo Orlando é diferente. Paulo Orlando é do beisebol, um esporte até pouco tempo restrito a descendentes de japoneses em certas áreas de São Paulo. Ninguém dava bola. Era um “jogo de taco mais complicado” para americano e japonês. Os grandes clubes como o Pinheiros, o Flamengo e o Minas Tênis podem ter equipes de dezenas de modalidades, mas não beisebol. O Paulistano tem pelota basca, mas não beisebol. Muitos brasileiros ainda possuem preconceito com este esporte. Mas isso já está mudando em uma nova geração que acompanha os jogos na TV a cabo, faz intercâmbio nos EUA ou aprende beisebol nos videogames.

E Paulo Orlando hoje é um herói para esta nova geração. Saiu de São Paulo, ainda adolescente, para se aperfeiçoar no beisebol na República Dominicana, uma das maiores potências do esporte. Junto com outros dois brasileiros, Yan Gomes e Andre Rienzo, aos poucos foi superando os obstáculos das ligas menores nos EUA e chegaram à Major League Baseball.

Nesta terça, Paulo Orlando fez história. Disputou, pelo Kansas City Royals, a primeira partida contra o New York Mets pela World Series, que basicamente é a final do campeonato de beisebol dos EUA. Jogou bem e, quando rebateu uma bola, brasileiros ao redor do mundo celebraram no Twitter, incluindo este blogueiro, que soltou um PQP por extenso no para celebrar na rede social. Seria como um jogador de futebol dos EUA jogando bem pelo Real Madrid em uma Champions League. Era alta madrugada no Brasil, 3 da manhã, e milhares de brasileiros, incluindo torcedores do Mets, celebraram. Hoje será o segundo jogo, em Kansas City novamente. No fim de semana, serão três jogos seguidos em Nova York no Citi Field e estarei presente para contar para vocês.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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