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Portadora de esclerose múltipla, Ann Romney, “candidata” a primeira-dama dos EUA, é uma mulher especial

gustavochacra

29 Agosto 2012 | 00h26

Quando dá entrevistas contando a sua história, Ann Romney costuma levar alguns repórteres de TV às lagrimas. Ela é extremamente carismática, como no seu discurso na noite de terça na Convenção Republicana na Flórida. Ama o marido, ama os filhos e pode ser a grande arma republicana nas eleições presidenciais. Difícil vê-la falar e não se emocionar.

Diagnosticada com esclerose múltipla em 1998, ela chegou a passar semanas com uma menor sensibilidade e dificuldade de movimento no lado direito do corpo, além de uma fadiga crônica que durou anos.

Neste momento, seu marido, Mitt Romney, atual candidato republicano à Presidência dos EUA e então CEO da Bain Capital, um dos maiores fundos de Private Equity do mundo, deixou tudo de lado e buscou os melhores tratamentos possíveis para ajudar a mulher.

Aos poucos, com “uma mistura de medicina ocidental”, através de remédios e neurologistas de Boston, e “oriental”, como a acupuntura, conforme gosta de dizer Ann, ela foi superando a doença. A versão dela da esclerose múltipla, que possui diferentes variações, é mais amena. Hoje, por exemplo, a mulher de Romney está em remissão, sem sintomas (ou relapsos, como são chamadas as crises esporádicas desta condição) há quase uma década. Tampouco possui seqüelas. Vive normalmente, como se não tivesse absolutamente nada. É fisicamente e intelectualmente perfeita, capaz de vencer campeonatos de hipismo.

Com a saúde melhor, Ann se tornou uma porta-voz dos portadores da doença, doando dinheiro da fortuna do marido para pesquisas para o tratamento da esclerose múltipla, que avançou muito nos últimos anos. Além disso, se tornou uma amazona e disputou campeonatos de hipismo. Seu cavalo, inclusive, participou dos Jogos Olímpicos de Londres.

Mas, em 2008, Ann recebeu a notícia de que estava com câncer de mama. Mais uma vez enfrentou um duro tratamento e venceu a doença, mais grave do que a esclerose múltipla, ou MS, como ela gosta de dizer.

No início do ano, a mulher de Romney chegou a ser criticada por uma estrategista do Partido Democrata por nunca ter trabalhado. Na ocasião, até o presidente Barack Obama achou equivocada a crítica. Ela criou cinco filhos e agora tem 18 netos. O comentário sobre o seu passado não a afetou. Inclusive, Ann é conhecida por adorar comprar brigas e ser dura em discussões e com um carisma que assusta mesmo os democratas.

Diferentemente do marido, Ann não nasceu mórmon. Quando o conheceu, decidiu se converter. Tinha apenas 17 anos. Estudou na tradicional universidade Brigham Young, em Utah, voltada para os mórmons, onde se formou em francês. Romney, que viveu na França, também é fluente na língua – Obama é monoglota.

Na avaliação da campanha republicana, Ann será fundamental para mostrar o lado humano de Romney, especialmente pela ajuda dele no período grave da sua doença nos anos 1990, sendo visto por ela como fundamental para a recuperação. E isso ela fez muito bem no discurso de hoje. A apresentadora da CNN admitiu ter ficado com lágrima no olho.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

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