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Quais as diferenças nas posições de Israel e da Palestina?

gustavochacra

30 Julho 2013 | 12h15

Por que é impossível um acordo de paz entre Israel e Palestina neste momento? Primeiro, existem três questões que dividem palestinos e israelenses (os governos)

Jerusalém

Posição de Israel – Considera a cidade sua capital indivisível

Posição da Palestina – Reivindica a porção oriental da cidade, de maioria árabe muçulmana e cristã palestina, como sua capital


Refugiados

Posição de Israel – Não aceita o retorno das centenas de milhares de refugiados e seus descendentes para o que hoje é Israel lembrando que um número similar de judeus também foi obrigado a deixar países árabes. Não vê problemas nestas pessoas voltarem para o futuro Estado palestino

Posição da Palestina – Defende o direito de retorno dos refugiados para o que hoje é Israel. Os judeus expulsos dos países árabes não seriam um problema dos palestinos, mas de outras nações como o Egito e o Marrocos

Assentamentos e Fronteiras

 Posição de Israel – Defende a permanência da maior parte dos assentamentos no lado israelenses, com as fronteiras levando em conta as novas realidades no território

 Posição da Palestina – Exige a retirada da maior parte dos assentamentos e as fronteiras com base nas linhas de armistício existentes até 1967, com os ajustes necessários

Em segundo lugar,  estas são apenas as posições oficiais, de seus governos. Membros da coalizão israelense e integrantes do Hamas, que controlam a Faixa de Gaza, são ainda mais distantes de um ponto comum

Os radicais israelenses não aceitam a criação de um Estado palestino. Os milhões de palestinos tampouco teriam direito à cidadania israelense. Para eles, os palestinos podem governar as suas cidades em áreas controladas por Israel, em um sistema existente até o início das negociações de Oslo, com a diferença de que, agora, não poderiam mais cruzar para Israel, como no passado. Na prática, um Apartheid

Os radicais palestinos do Hamas, embora já tenham indicado, em algumas ocasiões, aceitar a solução de dois Estados, ainda, muitas vezes, pregam a destruição de Israel.

Diante deste cenário, como chegar ao acordo? Não chegarão, no curto e médio prazo até a dinâmica do conflito se alterar e houver incentivos para um acordo, como ocorreu no início dos anos 1990. O objetivo das negociações, neste momento, é impedir mais uma vez os EUA serem alvo de humilhação nas Nações Unidas, onde o sentimento pró-Palestina é quase unânime, a não ser pelos americanos, canadenses, tchecos e algumas ilhotas no Pacífico. Barack Obama poderá fingir que a paz vem sendo negociada, enquanto chega ao fim de seu mandato, fracassando como Bill Clinton e George W. Bush. Os palestinos aceitam porque seus líderes vivem de mesada americana.

A solução é óbvia, como escrevo em todos os meus artigos sobre Israel-Palestina. A criação de um Estado independente tendo as fronteiras de 1967 como base. Os principais blocos de assentamentos próximos à fronteira, porém, ficariam com Israel. Em troca, os palestinos receberiam terras em outras áreas. Jerusalém seria uma municipalidade unificada, capital dos dois Estados. No caso palestino, mais simbólica, com a sede da Presidência, mas com a administração e a burocracia ficando em Ramallah, a poucos quilômetros de distância (da avenida Paulista ao Morumbi). Israel reconheceria que muitos palestinos foram expulsos ou obrigados a sair na Guerra de Independência. Mas os refugiados e seus descendentes poderiam voltar apenas para o Estado palestino.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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