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Quais países recebem mais refugiados no mundo?

gustavochacra

01 Fevereiro 2017 | 12h41

Algumas pessoas têm me questionado por que países árabes não recebem refugiados. Na verdade, recebem e bastante. O Líbano, que tem pouco mais de 4 milhões de habitantes, possui 1,1 milhão de refugiados. Seria o equivalente aos EUA terem 75 milhões de refugiados ou o Brasil, 50 milhões. A Jordânia é outra nação árabe que recebe enorme quantidade de refugiados. Ao todo, são 664 mil.

Dos seis países que mais recebem refugiados no mundo, cinco são de maioria islâmica (embora apenas dois sejam árabes – Jordânia e Líbano)

  1. Turquia (maioria islâmica) – 2,5 milhões2.
  2. Paquistão (maioria islâmica) – 1,6 milhão 3.
  3. Líbano (maioria islâmica, mas com expressiva minoria cristã) – 1,1 milhão
  4. Irã (maioria islâmica) – 979 mil
  5. Etiópia (maioria cristã) – 736 mil
  6. Jordânia – 664 mil

Estes países recebem mais refugiados porque possuem fronteiras com nações em conflito e abriram suas portas para eles. No caso da Turquia, com a Síria e Iraque. No caso do Líbano e da Jordânia, com a Síria. No caso do Irã, com o Iraque e o Afeganistão. No caso do Paquistão, com o Afeganistão. No caso da Etiópia, com a Eritréia e Somália. Curiosamente, a Síria, durante a Guerra do Iraque, recebeu mais de 1 milhão de refugiados iraquianos, dando saúde e educação gratuita a todos. Se houver uma guerra civil na Venezuela, dezenas de milhares podem buscar refúgio no Brasil.

Em números proporcionais, segundo a ONU, como curiosidade, o Líbano recebe 183 refugiados por mil habitantes. A Jordânia, 87. Turquia, 32. A Suécia, 17. E os EUA? Apenas 0,8 refugiados por mil habitantes – isto é, cerca de 200 vezes menos do que o Líbano.

Somente uma parcela minoritária dos refugiados vai para nações mais distantes. Os EUA, por exemplo, recebiam refugiados apenas após um processo de 20 etapas, considerado um dos mais severos do mundo – agora não recebem mais temporariamente. E possuem o Oceano Atlântico como barreira.

No ano passado, a maior parte dos refugiados para os EUA vieram do Congo, seguido pela Síria, Myanmar, Iraque, Somália e Butão.

Na Europa, houve uma intensificação no número de refugiados em direção à Alemanha na Guerra da Síria. E, no processo, muitos migrantes econômicos também se misturaram. O processo é diferente dos EUA, onde o refugiado já chega (ou chegava) com o processo concluído. Na Europa, muitos aplicam depois de chegar ao país, como a Alemanha. Isso causa o caos. Teria sido mais fácil, no caso dos sírios, fazer uma triagem quando estes ainda estavam no Líbano, Jordânia e Turquia – o Brasil faz esta triagem com sucesso.

A busca pela Europa é natural. Pense em um jovem sírio de 23 anos. Se ele tiver concluído a faculdade, terá a opção de se alistar no Exército de Bashar al Assad, integrar algum dos grupos jihadistas opositores, ser desertor e ir para prisões onde há tortura ou ir para o exílio. No Líbano, há poucas opções de trabalho. Mas este jovem sabe que tem chance de conseguir refúgio na Alemanha. É natural que tente ir, embora a maioria permaneça no Líbano, Turquia ou Jordânia.

Mas, voltando ao mundo árabe, há questionamentos sobre o motivo de a Arábia Saudita e outras nações do Golfo não receberem refugiados sírios. Estes países argumentam que recebem sim centenas de milhares de sírios com visto de trabalho, não com o status de refugiado. Mas, mesmo antes do conflito, muitos sírios e iraquianos já imigravam para a Arábia Saudita em busca de trabalho. Não está claro se houve uma intensificação após o início do conflito. Estas nações também argumentam que dão ajuda financeira a refugiados no Líbano e Jordânia.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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