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Qual a ligação França-Líbano, Rússia-Síria e Reino Unido-Iraque?

gustavochacra

21 Novembro 2017 | 12h47

Vocês devem ter notado que a Rússia não costuma se intrometer em assuntos do Líbano e do Iraque, embora seja o principal ator externo na Síria. Esta postura se deve a uma certa noção de divisão de zonas de influência no Oriente Médio entre as grandes potências. O Iraque seria, portanto, dos EUA e do Reino Unido, assim como o Egito. O Líbano, da França. A questão Israel-Palestina, dos americanos.

Estas ligações possuem fatores históricos. A Rússia historicamente vê o regime de Basharl al Assad como um cliente na compra de armas, um aliado leal no Oriente Médio, onde se localiza a única base russa no Oriente Médio e um parceiro na luta contra o jihadismo. Há ainda a ligação histórica entre os cristãos grego-ortodoxos sírios e os cristãos grego-ortodoxos russos. Para completar, é comum até hoje membros da elite síria irem estudar em universidades em Moscou.

O Líbano é próximo dos franceses desde os tempos otomanos. A França sempre se viu como defensora dos cristãos maronitas, que é a principal corrente cristã libanesa. O país, durante o mandato francês, foi criado em parte para ser uma pátria cristã. Ao longo dos séculos, uma série de ordens católicas patrocinadas pela França estiveram no Líbano. As principais escolas libanesas são liceus franceses, onde estudam tanto cristãos como muçulmanos. Uma das melhores universidades é a francesa Université Saint-Josephe. Alguns libaneses, especialmente cristãos, têm o francês e não o árabe como primeira língua – é o caso, inclusive, do presidente Michel Aoun (o premiê Saad Hariri também é fluente em francês). Há jornais excelentes em francês, como o L’Orient Le Jour.

O Iraque foi, por sua vez, criado pelos britânicos a partir de uma junção de três Províncias Otomanas – Mosul, Bagdá e Basra. Mas passou a ter maior influência americana ao longo das décadas.

Esta “divisão” ajuda a entender a intervenção da Rússia na Guerra da Síria a favor de Assad e o motivo de Emmanuel Macron, presidente da França, se envolver pessoalmente na tentativa de resolver a crise libanesa na Arábia Saudita. No caso de Israel-Palestina, o único ator externo relevante são os EUA.

Notem que esta divisão não leva em consideração interesses de forças regionais, como o Irã, Arábia Saudita e Turquia.

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