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Qual é a guerra do Hezbollah contra a Al Qaeda?

gustavochacra

02 Agosto 2017 | 18h54

O Hezbollah derrotou a Frente de Conquista do Levante, que basicamente é a Al Qaeda na Síria, em batalha na fronteira sírio-libanesa, na região de Arsal. Não foi a primeira vez que o grupo xiita libanês, aliado a algumas facções armadas cristãs menores, vence a rede terrorista fundada por Osama bin Laden (hoje absurdamente chamada por algumas nações ocidentais de “milícia rebelde opositora” na Guerra da Síria pelo fato de lutar contra o regime de Bashar al Assad).

Isso não significa que o Hezbollah seja “bonzinho”. Não é. Em guerras como a da Síria dificilmente há um lado bom e outro ruim. O Hezbollah simplesmente derrotou um inimigo. E este inimigo vem a ser a Al Qaeda, responsável por dezenas de atentados terroristas ao redor do mundo, incluindo o 11 de Setembro. Ao mesmo tempo, o grupo libanês segue como acusado de ter matado em ato terrorista na marina de Beirute o ex-premiê do Líbano (e pai do atual) Rafik Hariri e de estar envolvido nas ações terroristas contra a AMIA e a Embaixada de Israel em Buenos Aires, entre outros atentados – a organização libanesa nega envolvimento em todos, diferentemente da Al Qaeda, que reivindica seus atos terroristas.

Sem dúvida, para o Líbano, o Hezbollah é menos prejudicial do que a Al Qaeda. O grupo libanês integra uma coalizão partidária junto com importantes partidos cristãos, como a Frente Patriótica Nacional, do presidente Michel Aoun (também cristão) e também xiitas. Ao mesmo tempo, muitos libaneses, especialmente sunitas mas também cristãos, drusos e mesmo alguns xiitas, discordam de o Hezbollah ter armas e entrar em guerra contra Israel e se envolver na Guerra da Síria a revelia do Estado libanês.  Entre estes partidos está o do premiê Saad Hariri, embora este faça integre um governo de coalizão nacional do qual o Hezbollah faz parte como membro minoritário. Já Al Qaeda não faz parte do Líbano e apenas quer levar o caos da Síria para o lado libanês da fronteira.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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