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Se Obama não enviar tropas, menos americanos e afegãos morrerão; o resto é chute

gustavochacra

11 Novembro 2009 | 22h30

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda não decidiu se enviará os 40 mil soldados pedidos pelo general Stanley McChrystal para o Afeganistão. O embaixador americano em Cabul discorda e vê com ressalvas o aumento no contingente sem ter um parceiro forte no lado afegão, onde o presidente Hamid Karzai está envolto em casos de corrupção.

O secretário da Defesa, Robert Gates, e a de Estado, Hillary Clinton, defendem uma solução intermediária, com a mobilização de dois terços ou da metade sugerida pelo comandante militar americano. Colin Powell, em entrevista a uma TV dos EUA, disse que Obama deve pensar com calma antes de tomar uma decisão.

A guerra já dura oito anos. Nestes período todo, os EUA não conseguiram derrotar o Taleban, o Afeganistão é governado por um presidente corrupto, a Al Qaeda se mudou para a região do Waziristão do Sul, no Paquistão, e também para outras partes do mundo, e centenas de soldados americanos e dezenas de milhares de civis afegãos morreram.

Não sei se, com todo este esforço, e mais os 40 mil soldados, os americanos evitariam um novo 11 de Setembro. Parece o Vietnã. Os EUA perderam milhares de vidas, tiraram outras milhares, e saíram derrotados. Para, décadas depois, sem guerra, os dois países estabelecerem relações e Hanói se tornar um destino turístico.

Ninguém pode dizer ao certo se o “surge” dará certo no Afeganistão. No Iraque, deu, mas graças aos acordos com líderes tribais sunitas e a uma trégua de milícias xiitas. Tampouco se pode dizer que novos atentados serão impedidos. O 11 de Setembro foi inesperado e um outro mega atentado pode ocorrer a qualquer momento. Verdade, algumas ações foram desmanteladas. Mas graças ao serviço de inteligência, não aos soldados.

A única certeza é de que mais americanos e afegãos morrerão caso enviem mais 40 mil soldados. O resto é apenas previsão do McChrystal, da Hillary, do Obama.