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Se quiser saber uma coisa da guerra da Síria, leia este post

gustavochacra

19 Outubro 2015 | 19h42

Apenas para ficar claro, e já escrevi isso aqui outras vezes, se as pessoas precisarem saber apenas uma coisa da Guerra da Síria, saibam que todos os lados envolvidos no conflito são péssimos. Isso já ajuda bastante.

Começamos pelo ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Trata-se de uma organização ultra-extremista que decapita pessoas, escraviza sexualmente mulheres e comete massacres contra minorias religiosas xiitas, cristãs, alauítas, yazidis e também contra os próprios sunitas – sem falar nos ateus.

Depois, temos o regime de Bashar al Assad, responsável por atrocidades e crimes contra a humanidade, segundo a ONU. Tem a seu favor apenas o fato de historicamente defender minorias, como os cristãos, alauítas e drusos. Mas isso não justifica as ações.

Por último, temos os rebeldes. Tampouco há bonzinhos entre estes grupos, que cometeram crimes contra humanidade, são ultra-extremistas, perseguem minorias, decapitam pessoas e tratam mulheres como seres humanos de segunda classe. E, para terminar, o principal grupo é a Frente Nusrah, que vem a ser a Al Qaeda na Síria. Os ditos “moderados” são aliados desta organização responsável pelo 11 de Setembro.

E como resolver esta guerra? Não tem absolutamente nenhuma forma de encerrar o conflito, nem mesmo enviando centenas de milhares de soldados ocidentais – basta ver os fracassos no Iraque e no Afeganistão, que eram mais fáceis de solucionar. O que vai acontecer? A guerra prosseguirá por anos, inclusive se Assad vier a deixar o poder ou o ISIS vier a ser derrotado. Guerras civis como a da Síria terminam por estafa dos lados envolvidos, como observamos agora na Colômbia, que selou a paz com as FARC após 50 anos. O Líbano teve 15 anos. O Afeganistão, na prática, está em guerra há 35. O Iraque há 12. Isso sem falar no Congo, República Centro-Africana e outros. Na Síria, falta muito, mas muito mesmo. Estamos no começo.

Não se iludam com propostas mágicas. Putin, por exemplo, fortalecerá Assad e enfraquecerá um pouco a oposição. Só isso. Mudará por um tempo a balança de forças, mas não derrotará os rebeldes, que integram centenas de milícias. E armar os rebeldes também servirá apenas para deteriorar o cenário.

É triste? Muito. Para mim, até pessoal, pois tenho um carinho especial pela Síria. Meus avós nasceram no Líbano, mas sempre se identificaram como sírios-libaneses. E eu estive muitas vezes em Damasco e sou fascinado pelo povo sírio. Fico imaginando se o mesmo ocorresse no Brasil e São Paulo fosse destruída como Aleppo e meus amigos se tornassem refugiados. Trata-se da maior tragédia do século 21.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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