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Serviço secreto adora Obama e Bush, mas odeia Carter, Hillary e Gore

gustavochacra

17 Novembro 2009 | 10h34

Os presidentes e suas famílias tentam ter uma vida privada na Casa Branca e também fora dela. As mulheres querem conversar com as amigas, os filhos estudam em escolas e universidades e os maridos, muitas vezes, dependendo do caso, gostam de correr por Washington ou manter relações escondidas com amantes – no caso de Bill Clinton, as duas coisas.

Ao mesmo tempo em que lutam para ser pessoas comuns, eles correm o risco de ser alvo de um ataque terrorista ou de um tiro disparado por algum fanático. Quatro presidentes dos Estados Unidos já foram assassinados. Para protegê-los, inclusive depois de deixarem o cargo, existe o serviço secreto. São homens e mulheres que ficam o dia todo ao lado da família presidencial, do vice e de outras autoridades do governo americano.

Dificilmente, os agentes secretos responsáveis pela segurança dos presidentes concordam em falar. Mas o jornalista Ronald Kessler conseguiu a façanha de trazer histórias inéditas, contadas por dezenas destas figuras de terno e óculos escuros, muitas vezes citando o próprio nome da fonte, incluindo alguns diretores do serviço secreto. O resultado é o livro “In the President’s Secret Service”, com relatos sobre amantes, brigas, e descrições das pessoas que são ou algum dia foram as mais poderosas do mundo. A linguagem do autor é pobre, mas vale pelo conteúdo.

Pesa, na descrição dos agentes, a simpatia que eles tinham pelos presidentes. Comunicadores, Ronald Reagan e Bill Clinton conquistaram seus seguranças ao sempre se manterem acessíveis e puxarem conversas. “Reagan possuía um tom amistoso. Aceitava as pessoas pelo que elas eram”, disse um dos agentes. Outro afirmou que o presidente chegou a pedir desculpas por eles estarem passando o Natal longe das famílias, fazendo a segurança presidencial. Clinton também é elogiado por suas iniciativas de conversar com pessoas comuns. “Era o chefe do mundo livre e dedicava cinco minutos para ouvir o problema de uma mulher na audiência”, relata um dos seguranças.

Já as mulheres, Nancy Reagan, e a atual secretária de Estado, Hillary Clinton, são descritas como dominadoras e antipáticas com os funcionários da Casa Branca. A mulher do republicano gostava apenas de revistas femininas e de falar com amigas ao telefone. E “Hillary era muito brava e sarcástica com seus funcionários, chegando a gritar muitas vezes”, disse um membro do serviço secreto.

Pior do que elas, apenas Jimmy Carter. Apesar de Nobel da Paz e figura vista como moderada inclusive em países inimigos dos EUA, o ex-presidente é descrito como mal educado e arrogante pelos seguranças. “Ele proibiu que os agentes secretos dirigissem a palavra para ele. Sequer nos olhava. Gostava de fazer um show, carregando uma mala vazia, para dizer que estava levando a própria bagagem. Na verdade, nós que levávamos a mala”, disse um agente. Para completar, o sulista ainda ficou com fama de pão-duro, assim como Al Gore.

O livro também cita como John Kennedy colecionava amantes, incluindo Marilyn Monroe. Lyndon Johnson também era um na frente das câmeras e outro por trás. Apesar de lutar pelos direitos dos negros, era racista privadamente, fazendo piadas de mal gosto e preconceituosas.

As duas famílias que mais agradaram os agentes são os Bush e os Obama, apesar do trabalho que as gêmeas do ex-presidente davam nas suas baladas. Assim como seu antecessor, Barack Obama, já presidente eleito, fez questão de convidar seus agentes para jantar, com direito a levarem as mulheres. O atual ocupante da Casa Branca, que recebe 30 ameaças de morte por ano, segundo disse o escritor em recente entrevista ao Estado, sabe que sua vida depende do serviço secreto.

* Texto baseado em matéria publicada na edição impressa