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Trump prejudicou aliança de Israel e Arábia Saudita contra o Irã?

gustavochacra

18 Dezembro 2017 | 15h36

O governo israelense, sem dúvida, recebeu com satisfação o reconhecimento feito por Donald Trump de que Jerusalém é a capital de Israel. Mas a iniciativa do presidente americano pode prejudicar a aproximação dos israelenses com a Arábia Saudita para criar uma frente contra o Irã, considerado um inimigo por ambos.

Antes Guerra do Iraque, em 2003, Israel e Palestina dominavam o centro das atenções no Oriente Médio. A invasão americana fez a imprensa se dividir entre os dois conflitos A Primavera Árabe, em 2011, colocou em segundo plano israelenses e palestinos. Nos últimos cinco anos, o foco da região estava na Guerra da Síria e no crescimento do ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Mesmo a Guerra do Yemen e a da Líbia possuíam um impacto maior para o mundo árabe do que Israel-Palestina. Para completar, a rivalidade entre Riad e Teerã se acentuou ao longo deste período.

Trump, com a sua declaração, recolocou o conflito entre Israel e Palestina no topo das prioridades na região, ainda que temporariamente. O regime saudita, por mais que compartilhe os mesmos ideais geopolíticos de Benjamin Netanyahu e de Trump contra o Irã, não tem condições de neste momento ignorar os palestinos e ficar falando da ameaça iraniana.

Até no jornalismo dá para perceber a diferença. Devo ter escrito 20 vezes mais textos sobre a Síria do que sobre Israel nos últimos cinco anos. Até 2010, Israel estava no topo. Correspondentes em Jerusalém e Tel Aviv enfrentavam dificuldades nos últimos anos para emplacar matérias. Difícil competir com quem estava em Beirute (Líbano) cobrindo a Guerra da Síria, em Istambul falando de Erdogan, em Teerã, Dubai e Cairo.

Com o passar dos meses, talvez a Arábia Saudita, sob o comando do príncipe Mohammad bin Salman, volte a se aproximar de Israel para criar uma frente contra o Irã. Mas, neste momento, a aliança entre sauditas e israelenses perdeu por força devido à declaração de Trump, que tem peso mais simbólico. Netanyahu sempre deixou claro que a maior ameaça a Israel é o Irã, não os palestinos. O curioso é que o próprio Trump seria um entusiasta desta aproximação de israelenses e sauditas. Não deve ter pensado nisso ao fazer o reconhecimento.

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