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Um resumo blogueiro para entender a Tunísia em 9 itens

gustavochacra

18 Março 2015 | 16h36

1. A Tunísia, ao lado do Líbano, é uma das raras democracias no mundo árabe – o Kuwait também tem um modelo particular de monarquia constitucional que o aproxima de uma nação democrática.

2. A Tunísia, historicamente, sempre foi uma nação liberal para os padrões da região. Inclusive, foi um dos primeiros países do mundo a permitir o direito ao aborto, ainda nos anos 1960 – o Brasil, depois de cinco décadas, ainda não permite e o tema nem foi parte do debate nas últimas eleições presidenciais.

3. A Tunísia é majoritariamente muçulmana sunita (99%), com minúsculas minorias religiosas. Não enfrenta, portanto, os problemas sectários do Líbano, Síria e Iraque, que são nações sectárias. Além disso, não possui vertentes conservadoras do islamismo sunita, como a Arábia Saudita. Trata-se de uma sociedade secular.

4. A Tunísia tem um perfil mediterrâneo e uma proximidade não apenas cultural, mas também geográfica com o sul da Europa. Turistas europeus sempre visitaram o país como destino turístico por sua história (a Tunísia é onde ficava Cartago) e por suas belezas naturais.


5. A Tunísia foi o berço da Primavera Árabe com os protestos que levaram à queda de Ben Ali. Não houve conflito e o ditador deixou o cargo sem violência. Eleições parlamentares e presidenciais já foram realizadas.

6. A Tunísia tem uma renda per capita de US$ 4,3 mil dólares. Inferior à vizinha Argélia (US$ 5,3 mil), rica em petróleo, mas superior à do Marrocos (US$ 3 mil)

7. A Tunísia, apesar das liberdades, tem sido um terreno fértil de recrutamento para o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Milhares foram lutar na Síria e no Iraque. Por que? Difícil explicar.

8. A Tunísia foi palco, nesta quarta, de uma atentado terrorista em um museu ao lado do Parlamento, matando 19 pessoas, sendo 17 estrangeiros, além dos dois atiradores. Não se sabe quem foram os responsáveis

9. A Tunísia será afetada pelo atentado? Sim. Certamente estrangeiros pensarão duas vezes antes de visitar o país. O turismo é importante para a economia local. Mas, mesmo que tenha sido o ISIS, não dá para dizer que o grupo estabelecerá bases no território tunisiano. O Exército da Tunísia é coeso e preparado para enfrentar esta organização. Não há risco de virar uma Síria ou uma Líbia.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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