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Uma tentativa de explicar o debate sobre a crise das armas químicas na Síria

gustavochacra

29 Agosto 2013 | 12h10

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Vou tentar explicar como anda o debate envolvendo a legitimidade ou não de os EUA e seus aliados europeus responderem ao que eles afirmam ser um ataque químico de Bashar al Assad nos arredores do Damasco – o regime nega e, assim como a Rússia, acusa a oposição. A ONU não tem uma conclusão.

Primeiro, devemos deixar claro que os EUA, Grã Bretanha e França dizem ter provas de que Assad cometeu o ataque químico. Mas estas evidências não foram apresentadas. E, mesmo se forem, precisam ser vistas com ceticismo já que, em 2003, o então secretário de Estado Colin Powell apresentou no Conselho de Segurança o que seriam imagens provando a posse de destruição em massa de Saddam Hussein – depois de uma guerra, que ainda não terminou dez anos depois, e cerca de 300 mil mortos, nada foi encontrado.

Em segundo lugar, a ONU possui inspetores em Damasco investigando o episódio. Eles determinarão se houve ataque químico e qual teria sido o arsenal usado. Não está no mandato desta missão a determinação de quem teria sido o responsável. Além disso, o regime afirma ter suspeita de outros três ataques químicos, prorrogando a missão. Por enquanto, a previsão é de eles ficarem até sábado

Terceiro, o Conselho de Segurança da ONU não aprovará uma intervenção militar, mesmo que em forma de um bombardeio isolado de um dia de duração. A Rússia, um dos cinco membros permanentes, usará o seu poder de veto.

Em quarto lugar, o Parlamento britânico precisa aprovar uma intervenção. O premiê não pode agir sem esta autorização. E uma votação ocorrerá apenas depois de a missão da ONU apresentar suas conclusões no Conselho de Segurança da ONU.

Quinto, nos EUA, em teoria, o presidente Barack Obama precisaria de aprovação do Congresso para iniciar uma guerra. Há antecedentes de o presidente não buscar esta permissão, como na Líbia. Mas opositores a uma intervenção, tanto entre os republicanos (especialmente libertários e isolacionaistas) como membros do Partido Democrata, exigem que o Congresso aprove desta vez.

Portanto o cenário de um ataque nos próximos dias não é tão certo como no início desta semana. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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