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Você sabia que os republicanos dos EUA estão em “guerra” civil?

gustavochacra

08 Outubro 2015 | 17h25

Os republicanos estão em guerra civil porque uma ala radical e intransigente do partido na Câmara dos Deputados começou a sabotar todas as lideranças tradicionais republicanas. Dá até para dizer que os EUA hoje possuem 3 partidos – o republicano, o democrata e os extremistas republicanos.

O ponderado John Bhoener, líder dos republicanos e presidente da Câmara, anunciou que renunciará ao cargo neste mês por não suportar mais os radicais do partido. Kevin McCarthy, favorito para sucedê-lo, desistiu hoje pelo mesmo motivo. Eric Cantor, que por anos era o mais cotado para ser o próximo líder, perdeu em eleições primárias em seu distrito para um extremista e disse em artigo no New York Times que a ala radical está destruindo o partido. Paul Ryan, uma das vozes mais respeitadas dos republicanos e vice de Romney, também não quer este abacaxi. Eles acham impossível dialogar com os radicais. Insisto, são líderes republicanos falando de membros do próprio partido.

Ao todo, há 40 ultra-conservadores de um total de 247 republicanos na Câmara, controlada pelo partido (há 188 democratas). O problema maior não é necessariamente a ideologia, como deixam claro muitos republicanos do establishment. O problema é a intransigência desta ala radical. Por exemplo, eles acham que os republicanos podem governar os EUA pois controlam o Congresso. Não levam em consideração que existe a Suprema Corte e o Poder Executivo (democrata), que não são controlados pelo partido.

Esta ala afeta inclusive as primárias republicanas. Historicamente, o partido possuía um nome de respeito na dianteira das pesquisas, concordasse ou não com suas ideologias. Foi assim com Reagan, Bush Pai, Dole, Bush filho, McCain e Romney. Hoje, o líder das pesquisas é Trump, seguido pelos inexperientes Carson e Fiorina. Jeb Bush (ex-governador da Florida), John Kasich (governador de Ohio), Chris Christie (governador de Nova Jersey) e Marco Rubio (senador pela Florida) estão atrás desta celebridade, de uma incompetente executiva e de um ótimo neurocirurgião que infelizmente não acredita na teoria da evolução.

Os republicanos têm uma enorme chance de vencer as eleições do ano que vem se tiverem uma chapa séria, formada por Rubio-Kasich, por exemplo. Mas precisam tomar cuidado para não escolher um radical ou um aventureiro.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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