“Caçadores de Corruptos” se reúnem na Noruega para tratar da Lava Jato

Jamil Chade

22 Junho 2017 | 04h26

Evento fechado ocorre no mesmo dia da visita oficial do presidente Temer à capital norueguesa. 

 

OSLO – Enquanto o presidente Michel Temer tenta dar um ar de normalidade ao seu governo ao se reunir com autoridades norueguesas, empresários em Oslo nesta quinta-feira e até mesmo com a família real amanhã, não longe da capital escandinava uma outra reunião confidencial também atrai para a Noruega uma realidade bastante diferente do Brasil: a da Operação Lava Jato.

A partir de hoje, procuradores, chefes da polícia, juízes e especialista se reúnem para debater formas de cooperar em casos de dimensões internacionais. Organizado pelo Ministério Público da Noruega, o evento faz parte da “Rede de Caçadores de Corruptos”.

Do Brasil, a Procuradoria Geral da República enviou um de seus representantes que, na pequena cidade de Alesund, apresentará aos demais “caçadores” os avanços do combate à corrupção no Brasil e, acima de tudo, buscar formas de ganhar aliados para traçar a rota do dinheiro público. A Força Tarefa da Lava Jato também mandou representantes, além de promotores de São Paulo.

O Estado apurou que, de fato, a Lava Jato estará no centro dos debates, com diversos países interessados em saber o que o Brasil ainda tem para oferecer em termos de dados das empresas e o que precisa ainda quanto às informações de contas e suspeitos.

O conteúdo das conversas é mantido em total sigilo. Mas serve para, num estágio posterior, facilitar o contato entre os procuradores quando o assunto for um novo suspeito.

A rede, que mantém em diversos países reuniões sigilosas, é composta por autoridades da Alemanha, Itália, Reino Unido, Espanha, Suíça, EUA, de países africanos, árabes e até a ONU. Na liderança da iniciativa ainda está a procuradora anticorrupção da Noruega, Marianne Djupesland.