China já supera Europa no mercado de jogadores em 2016

China já supera Europa no mercado de jogadores em 2016

Jamil Chade

01 Abril 2016 | 18h01

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GENEBRA – O desembarque da China no mercado do futebol transforma o cenário das transferências de jogadores. Dados colhidos pela Fifa estimam que a China gastou US$ 295 milhões (mais de R$ 1 bilhão) na importação de atletas apenas em 2016.  O valor é um terço de tudo o que clubes de todo o mundo, inclusive os europeus, investiram em jogadores estrangeiros.

Entre janeiro e final de março de 2016, clubes pelo mundo gastaram US$ 982 milhões para se reforçarem. Em janeiro, foram 97 craques que deixaram o Brasil, contra outros 116 em fevereiro. 42 brasileiros ainda vendidos apenas no mês de março, mais de um por dia.

Mas, mesmo entre os analistas da Fifa, o que surpreende são os dados chineses. Os gastos dos clubes do país asiático aumentaram de US$ 80 milhões em 2015 para US$ 295 milhões em dois meses de 2016. Um total de cem jogadores estrangeiros foram importados, com 16 vindos de Portugal e 13 do Brasil.

Em janeiro, a China já aparecia como o terceiro maior investidor no futebol, acima da Alemanha, com gastos de US$ 43 milhões e superada apenas pela Espanha e Inglaterra.


Mas já na janela de fevereiro, os chineses passaram a ocupar a primeira colocação. Pequim gastou US$ 144 milhões em reforços, duas vezes mais quee o segundo colocado, a Inglaterra, com US$ 70 milhões.

No Brasil, a ofensiva chinesa foi sentida por diversos clubes que viram seus elencos serem minados na força das propostas asiáticas.

Vitoriosa em diversos esportes, a China lançou no início de 2015 uma estratégia para também ser competitiva agora no futebol, o esporte mais popular do planeta e até hoje fonte de vergonha nacional para um país com ambições de ser superpotência.

As autoridades de Pequim publicaram um plano para revolucionar a prática do esporte no país e, finalmente, ter um time competitivo. No centro da estratégia, a introdução de treinadores de futebol a 50 mil escolas nos próximos dez anos e com apostilas que vão ensinar milhares de chineses a arte da bola.

A meta é ambiciosa: identificar 100 mil jovens que poderiam ter o potencial de se tornar jogadores profissionais. No total, sete volume de livros foram preparados e o presidente do país e fanático pelo futebol, Xi Jinping, já deixou claro que o esporte passou a ser uma obrigação no curriculum.

Mas, enquanto os futuros craques chineses não surgem, a ordem é a de importar os talentos. Analistas europeus não acreditam que a tendência de superar os gastos da Inglaterra, Espanha ou Alemanha sejam mantidos no médio prazo. Ainda assim, o impacto já tem sido sentido.

A China, por exemplo, já começou a inflacionar o mercado mundial em 2015. No ano passado, a Fifa registrou um recorde de transferências internacionais de jogadores, num total de 13,5 mil, 3,1% acima dos volumes registrados em 2014.

No total, clubes gastaram US$ 4,1 bilhões na compra de jogadores (R$ 14,7 bilhões), 2,6% a mais que em 2014. Desde 2011, a alta foi de 44% nos recursos gastos por times para garantir reforços. Só entre 2012 e 2013, a elevação foi de US$ 1,2 bilhão. Os dados também mostram que, em média, jogadores transferidos ganham um salário anual de US$ 565 mil. Os clubes ingleses foram os recordistas em gastos, com US$ 1,2 bilhão.

Apenas dez países pelo mundo representam 80% dos gastos mundiais e, segundo a Fifa, a alta de 2015 tem uma relação direta com a entrada no mercado dos clubes chineses, levando dezenas de jogadores brasileiros e sul-americanos.