Federações alertam que Rio2016 vive « sérios problemas »

Jamil Chade

19 Abril 2016 | 05h28

Com Rio em situação de crise, COI manda equipe de emergência

LAUSANNE – As principais federações esportivas internacionais alertam que os organizadores da Rio2016 « não fizeram o suficiente » e que «sérios problemas » ainda existem na preparação para os Jogos Olímpicos, em agosto. Faltando apenas três meses para o evento, o COI vai enviar um grupo para permanecer na cidade brasileira na esperança de resolver a crise que, segundo os dirigentes, afeta « todos os campos de jogo ».

Numa reunião hoje em Lausanne, as federações debatem a situação do evento no Brasil e admitem que até o presidente do COI, Thomas Bach, está « preocupado » com o futuro dos jogos. Carlos Arthur Nuzman, presidente da Rio2016, vai apresentar os avanços na preparação durante o dia.

Uma das críticas veio da Federação Internacional de Ginástica, claramente insatisfeita com o evento-teste no Rio. « Temos sérios problemas com os Jogos », disse Ron Frohlich, representante da FIG durante o encontro nesta amanhã ao apresentar um informe do testes nesta semana na capital carioca.

Segundo ele, não existe abastecimento suficiente de luz diante da « falta de recursos ». « Essa é uma questão de segurança », alertou, criticando também o centro de treinamento. Para ele, o lado positivo foi o «entusiasmo dos voluntários diante da situação difícil ».

O italiano Francesco Ricci Bitti, presidente da Associação de Federações de Esporte de Verão, concordou que o que o Rio tem feito « não é suficiente ». « Eles fizeram bastante. Mas perderam detalhes muito importantes em todos os campos de jogo », disse.

Segundo Ricci Bitti, o presidente do COI, Thomas Bach, também não está satisfeito. « Ele está preocupado, como eu e você », disse o italiano ao representante da Federação de Ginástica.

De acordo com ele, COI informou às federações que vai designar grupo « de alto escalão » para viajar ao Rio de Janeiro para acompanhar a preparação e tentar resolver cada uma das crises de maneira pontual.

Ricci Bitti chegou a recomendar às federações nesta manhã que nem tentem conseguir respostas de Nuzman. «Eu acho que ele não sabe desses problemas particulares », admitiu.

Um dos membros da missão enviada ao Rio será Christophe Dubi, diretor de Esportes do COI. « Ele permanecerá no Rio por algumas semanas », disse Ricci Bitti. Ao Estado um dia antes da eclosão da crise. Dubi admitiu que « o que tira o sono é a quantidade de trabalho que temos até agosto ».

Um dos problemas é o velódromo. Sem um evento prévio pelos atrasos nas obras, a opção em debate é um teste no final de junho entre atletas de alto padrão.

O presidente da Federação de Rugby, Bernard Lapasset, também aponta para a necessidade de melhorias em seu esporte no Rio. Segundo ele, a grama, a arquibancada e a iluminação do local onde ocorre sua modalidade, em Deodoro, ainda preocupam.

A reportagem ainda presenciou como técnicos da federação de rugby alertavam para os « enormes desafios » que ainda contam e da necessidade de pressionar Eduardo Paes, o prefeito do Rio, por soluções.

Oficialmente, o COI garante que « ótimos progressos » foram feitos pelo Rio. Ricci Bitti, porém, indicou uma realidade diferente e indicou que, durante as visitas na semana passada ao Brasil, as federações deixaram claro que os problemas eram importantes.

Ao Estado, na segunda-feira, Ricci Bitti admitiu que « no Rio, esse número de questões a serem resolvidas é maior que nas edições passadas ». Ironizando, ele apontou a « cultura do último minuto está fortemente desenvolvida no Brasil ».