Prisões mostram recrutamento transnacional do Estado Islâmico

Lourival Sant’Anna

09 Abril 2016 | 16h58

A identificação dos quatro presos pela polícia belga ressalta o alcance transnacional do recrutamento do Estado Islâmico. Dos quatro acusados de envolvimento nos atentados de 13 de novembro em Paris e 22 de março em Bruxelas, dois são belgas (um deles de origem marroquina), um é sueco de origem síria e o outro, ruandense.

Um dos belgas presos na sexta-feira, Mohamed Abrini, de 31 anos, confessou neste sábado ser o “homem do chapéu” flagrado por uma câmera de segurança de um posto de gasolina em uma estrada, ao lado do belga naturalizado francês Salah Abdeslam. Abrini e Abdeslam estavam a caminho de Paris, dois dias antes dos atentados na capital francesa. Considerado um dos mentores intelectuais dos atentados de Paris, Abdeslam foi preso no dia 18 de março em Bruxelas.

De acordo com a polícia, Abrini saiu do aeroporto de Bruxelas, alvo de um dos atentados, jogou numa lata de lixo o paletó com o qual aparece vestido nas imagens, e depois vendeu o seu chapéu. Ele tem dupla nacionalidade, belga e marroquina. Abdeslam também é descendente de marroquinos.

Assim como Abdeslam e outros participantes dos atentados de Paris e de Bruxelas, Abrini tem passagens pela políca por pequenos delitos. Um irmão mais novo dele também era ativista do Estado Islâmico e morreu na Síria em 2014. Acredita-se que Abrini tenha estado na Síria em meados do ano passado.


O outro cidadão belga preso na sexta-feira, Bilal el-Makhoukhi, de 27 anos, havia sido condenado em janeiro do ano passado por envolvimento no grupo Sharia4Belgium (cujo nome significa “justiça islâmica para a Bélgica”). O grupo, banido no país, recrutava jovens para se juntarem ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Ele perdeu uma perna lutando na Síria, onde usava o codinome Imrane. Voltou para a Bélgica, foi preso e condenado a cinco anos de prisão em janeiro de 2015. A pena foi reduzida a dois anos. Ele ainda teve o benefício da prisão domiciliar, sob monitoramento eletrônico, e foi liberado no mês passado, segundo o ministro da Justiça da Bélgica, Koen Geens, citado pela agência Reuters. É suspeito de ter alojado Abrini.

O sueco foi identificado como Osama Krayem, e segundo a polícia é o “segundo homem” do atentado contra a estação de metrô Maelbeek, que dá acesso à sede da União Europeia. Imagens das câmeras de segurança o mostram conversando rapidamente com o suicida Khalid el-Bakroui, que em seguida acionaria os explosivos em seu corpo dentro da estação.

Filho de exilados sírios, conhecido como Osama K, ou pelo nome de guerra Naim al-Ahmed, ele foi visto comprando no shopping center City 2 as mochilas usadas no atentado contra o aeroporto. Krayem foi trazido para a Bélgica de Ulm, na Alemanha, no dia 3 de outubro de 2015, em um carro alugado por Abdeslam.

De acordo com meios de comunicação suecos, citados pela France Presse, Krayem cresceu em um bairro pobre de Malmö, no sul da Suécia, e era um delinquente que oscilava entre a religião e o consumo de drogas, antes de aderir à jihad na Síria.

Em janeiro de 2015, ele posou no Facebook vestindo uniforme de combate, com um fuzil Kalachnikov na mão e, ao fundo, a bandeira do Estado Islâmico.

Por último, o ruandense foi identificado como Hervé B.M., acusado de ajudar Abrini e Krayem. Hervé é amigo de infância de Makhoukhi. Ambos eram vizinhos na Rue de Tivoli, em Bruxelas, e estavam em contato constante.