Arquivos secretos do assassinato de Kennedy estão nas mãos de Trump
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Arquivos secretos do assassinato de Kennedy estão nas mãos de Trump

Arquivo Nacional dos EUA tem até 26 de outubro para decidir se os cerca de 3,1 mil documentos confidenciais sob seu domínio podem ser divulgados ou devem continuar em sigilo; líder republicano tem prerrogativa para mantê-los ocultos por mais 25 anos

Redação Internacional

17 Outubro 2017 | 14h59

WASHINGTON – O maior mistério no imaginário popular da história recente dos Estados Unidos é quem foi o verdadeiro culpado pelo assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, uma incógnita com inúmeras dúvidas que podem ser esclarecidas com milhares de arquivos secretos cuja divulgação depende agora do presidente americano, Donald Trump.

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O Arquivo Nacional dos EUA tem sob seu domínio cerca de 3,1 mil documentos confidenciais sobre o assassinato do democrata que governou o país entre 1961 e 1963. Trata-se de informações que os historiadores e especialistas no assunto acreditam que podem ajudar a entender o que aconteceu e talvez até mudar a história oficial.

John F. Kennedy e a primeira-dama, Jackie Kennedy, desfilam em Washington em maio de 1961 (The White House/John F. Kennedy Presidential Library via The New York Times)

John F. Kennedy e a primeira-dama, Jackie Kennedy, desfilam em Washington em maio de 1961 (The White House/John F. Kennedy Presidential Library via The New York Times)

Agora, os responsáveis pelo Arquivo Nacional têm até o dia 26 de outubro para decidir quais desses documentos, a maioria pertencente ao FBI e à CIA, poderão ser divulgados e quais devem continuar em sigilo. A palavra final, no entanto, será de Trump, que tem a autoridade máxima para expor os arquivos ou não.

A divulgação destes documentos corresponde à JFK Records Act, uma lei aprovada em 1992 devido ao grande interesse pelo caso após a estreia do filme “JFK: A Pergunta que Não Quer Calar” (1991), no qual o cineasta Oliver Stone dava a sua visão sobre o assassinato cometido no dia 22 de novembro de 1963 em Dallas, no Estado do Texas.

No longa-metragem, Stone delineou uma hipótese defendida pelos investigadores Jim Garrison e Jim Marrs em seus respectivos livros “JFK: na Trilha dos Assassinos” e “Crossfire: The Plot That Killed Kennedy” (Fogo cruzado: A trama que matou Kennedy, em tradução livre) que alimentava as velhas teorias conspiratórias e descartava o relatório oficial da famosa Comissão Warren, que apontou um só homem como responsável: Lee Harvey Oswald.

À época da estreia, o ex-presidente Gerald Ford, que integrou a Comissão Warren, considerou o filme uma “fraude” e o qualificou como “a grande mentira”.

Mas, 26 anos depois, outros dois estudiosos do caso, Roger Stone e Gerald Posner, ambos do “The New York Times”, esperam com ansiedade a divulgação dos novos documentos com a esperança de que os arquivos sustentem suas próprias teorias. Apesar de trabalharem no mesmo jornal, eles defendem teses totalmente opostas.

No livro que publicou em 2013, intitulado “The Man Who Killed Kennedy: The Case Against LBJ” (O homem que matou Kennedy: o caso contra LBJ, em tradução livre), Stone defende a teoria de que o vice-presidente de Kennedy, Lyndon B. Jonhson, que o sucedeu no cargo, foi o cérebro por trás do assassinato.

A hipótese de Stone inclui grande parte dos personagens habituais das teorias conspiratórias em torno do assassinato de Kennedy: a indústria do petróleo texana financiou a trama, que foi executada pela máfia com a ajuda de integrantes da CIA e depois acobertada pelo FBI, então dirigido por J. Edgar Hoover.

Stone, que foi conselheiro e assessor do ex-presidente Richard Nixon, considera que o assassinato de Kennedy, a fracassada invasão da Baía dos Porcos para derrubar Fidel Castro e o escândalo Watergate “estão inextricavelmente relacionados”.

Por sua vez, Posner, que em 1993 foi finalista do Pulitzer de História com o livro “Case Closed: Lee Harvey Oswald and the Assassination of JFK” (Caso Fechado: Lee Harvey Oswald e o assassinato de JFK, em tradução livre), considera que as conclusões da chamada Comissão Warren são corretas e não houve nenhuma conspiração.

Após a tragédia, com o país ainda perturbado, foi criada uma comissão de investigação liderada pelo então presidente da Suprema Corte, Earl Warren, que determinou, não sem controvérsias, que Oswald cometeu o crime por conta própria e sem ajuda.

Apesar das visões contrárias sobre este episódio da história, Stone e Posner se uniram para pedir que os documentos ainda mantidos em sigilo sejam divulgados.

Convicto de que o caso não poderá ser encerrado até que o último documento seja revelado, Stone criticou o governo americano por se amparar na “segurança nacional” para se negar a revelar os documentos sigilosos durante décadas.

“Sei que o diretor da CIA, (Mike) Pompeo, está pedindo ao presidente (Trump) para adiar a divulgação destes registros por mais outros 25 anos”, disse Stone.

Caso Trump não autorize a divulgação dos documentos, como é a sua prerrogativa como presidente, pode ordenar que eles não sejam revelados durante outros 25 anos.

O ex-presidente Barack Obama, enquanto estava no poder, decidiu adiar a divulgação dos documentos da CIA relacionados a outro polêmico caso da época, a invasão da Baía dos Porcos, o que impossibilita esclarecer o compromisso de Kennedy de ajudar os exilados cubanos que em 1961 tentaram derrubar Fidel Castro. / EFE

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