Muro 100% mexicano é erguido em Nova York para depois ser derrubado
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Muro 100% mexicano é erguido em Nova York para depois ser derrubado

Redação Internacional

07 Setembro 2017 | 17h22

NOVA YORK – Um grande muro fabricado com 1,6 mil tijolos vermelhos fabricados no México divide, nesta quinta-feira , 7, o famoso parque Washington Square, em Nova York – mas só por algumas horas. A obra efêmera do artista Bosco Sodi foi feita para ser destruída.

Sodi, um mexicano de 46 anos que mora em Nova York, explicou que a ideia surgiu em janeiro, quando Donald Trump chegou à Casa Branca. Ele estava em sua oficina em Oaxaca, México, e fabricava tijolos para outra obra, com artesãos locais que começaram a contar suas histórias como imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

O artista mexicano Bosco Sodi e sua obra no Washington Square Park, em Nova York. Foto: Timothy Clary/ AFP

Diante da intenção de Trump de construir um muro ao longo dos 3,2 mil quilômetros de fronteira entre México e Estados Unidos, Sodi se propôs, então, a mostrar “como, quando as pessoas se unem, elas podem destruir qualquer muro, seja mental, político, psicológico, físico”.


A obra, de oito metros de largura por dois de altura, poderá ser vista inteira durante quatro horas, e, em seguida, vai se tornar interativa, sendo destruída tijolo por tijolo por pedestres, que poderão levar para casa uma peça carimbada com a assinatura do autor.

“É um fato poético e metafórico: convidar as pessoas a, ao tirarem um tijolo, fazerem suas próprias reflexões sobre um fato totalmente político, como pode ser o famoso muro de Trump ou o que está na boca de todos, agora, o dos Dreamers”, disse Sodi, referindo-se ao recente anúncio de Trump do encerramento do Daca, programa de proteção a cerca de 800 mil jovens imigrantes que chegaram aos Estados Unidos quando crianças, em sua maioria mexicanos.

Sodi explicou que o muro é “100% made in México”. “Não pode haver nada mais puramente mexicano que isso: a água mexicana, o sol mexicano, o ar mexicano, o fogo, a terra mexicana”, afirmou.

“Cada peça é única pelo processo de fabricação, são feitas em fornos rústicos, cada um queima diferente, por isso as distintas texturas e cores”, completou.

Ele decidiu fazer a instalação interativa no Washington Square, palco de muitos protestos contra Trump e, para sua surpresa, a cidade de Nova York não ofereceu resistências, apesar da clara alusão política presente na obra.

O primeiro tijolo, Sodi contou, vai ser retirado por um representante do prefeito democrata, Bill de Blasio. / AFP