As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

OVNIs são reais? Pentágono tentou descobrir

Departamento de Defesa reconheceu existência de programa que investigava informações sobre Objetos Voadores Não Identificados

Redação Internacional

19 Dezembro 2017 | 11h47

Por Helene Cooper, Leslie Kean e Ralph Blumenthal / NYT

WASHINGTON – No orçamento anual de US$ 600 bilhões do Departamento de Defesa, os US$ 22 milhões gastos no Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais foram quase impossíveis de encontrar. Justamente o que o Pentágono queria.

Durante anos, o programa investigou informes de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), disseram autoridades do Departamento de Defesa, participantes do programa e gravações obtidas pelo jornal The New York Times. O programa era liderado pelo militar oficial da Inteligência Luis Elizondo no quinto andar do Anel C do Pentágono, ao fundo de um labirinto do prédio.

+ Leia outras notícias sobre os EUA no Mais América

O Departamento de Defesa nunca havia admitido a existência do programa, que agora diz ter sido encerrado em 2012. Mas seus apoiadores dizem que, apesar de o Pentágono ter encerrado o financiamento da iniciativa naquela época, o programa continua existindo. Nos últimos cinco anos, afirmam eles, autoridades usaram o programa para investigar episódios informados por integrantes do serviço militar enquanto cumpriam alguma tarefa do Departamento de Estado.

O programa ainda obscuro – partes continuam sendo consideradas secretas – começou em 2007 e foi inicialmente financiado em grande parte a pedido de Harry Reid, democrata de Nevada, líder da maioria do Senado na época, e interessado em fenômenos do espaço. A maior parte do dinheiro foi destinada a uma companhia de pesquisa aeroespacial comandada por um bilionário e antigo amigo de Reid, Robert Bigelow, que atualmente trabalha com a NASA na produção de cápsulas expansivas para humanos usarem no espaço.

David Fravor, em sua casa em Windham, New Hampshire, é um ex-piloto da Marinha que diz sentir-se “bastante estranho” por ter presenciado um episódio inexplicável sobre o Pacífico. Sua história chamou a atenção do programa do Pentágono.

Os seguidores relatam um incidente em 2004 que defende a pesquisa de OVNIs alegando que é um tipo de evento digno de mais investigação, e foi estudado por um programa do Pentágono que investiga OVNIs. Os especialistas advertem que em geral existem explicações simples para tais incidentes e desconhecer a explicação não significa que o evento tenha origens interestelares.

O comandante David Fravor e o capitão tenente Jim Slaight estavam em uma missão de treinamento de rotina a mais de 180 km no Pacífico, quando os rádios em cada um dos seus Super Hornets F/A-18F trouxeram um alerta: um oficial de operações a bordo do USS Princeton, um cruzador da Marinha, queria saber se eles estavam carregando armas.

“Dois CATM-9s”, respondeu o Comandante Fravor, referindo-se a mísseis falsos que não poderiam ser disparados. Ele não estava esperando qualquer hostilidade na costa de San Diego naquela tarde de novembro de 2004.

O Comandante Fravor, em uma recente entrevista ao The New York Times, lembrou o que aconteceu depois. Parte foi gravada em um vídeo divulgado por funcionários do programa do Pentágono que investigava OVNIs.

“Bem, nós temos um vetor de mundo real para vocês”, disse o operador de rádio, de acordo com o Comandante Fravor. Durante duas semanas, o operador disse, o Princeton estava seguindo misteriosas aeronaves. Os objetos apareceram repentinamente a 24,3 quilômetros, e então se precipitaram para o mar, eventualmente parando em 6 km, flutuando. Depois, ou saíram do alcance do radar ou dispararam diretamente para trás.

O operador de rádio deu instruções ao Comandante Fravor e ao Comandante Slaight, que deram um relato semelhante, para que investigassem.

Os dois aviões de combate voaram em direção aos objetos. O Princeton alertou-os quando eles se aproximaram, mas quando eles chegaram “à beira da fusão” com o objeto – linguagem da aviação naval indicando que estavam tão próximos que o Princeton não sabia quais eram os objetos e quais eram os caças – nem o Comandante Fravor nem O Comandante Slaight conseguiram ver o que quer que fosse. Também não havia nada em seus radares.

O Comandante Fravor olhou para o mar. Estava calmo nesse dia, mas as ondas quebravam sobre algo que estava logo abaixo da superfície. Seja o que for, era grande o suficiente para agitar o mar.

Pairando 15 metros acima do mar agitado havia uma aeronave de um certo modo – esbranquiçada – com cerca de 12 metros de comprimento e forma oval. O objeto saltava de forma errática, mantendo-se sobre as ondas agitadas, mas sem se mover em qualquer direção específica, disse o Comandante Fravor. A perturbação parecia com espuma de ondas, ou como se a água estivesse fervendo.

O Comandante Fravor iniciou uma descida circular para olhar mais de perto, mas ao se aproximar, o objeto começou a subir na direção dele. Era quase como se viesse encontra-lo no meio do caminho, disse ele.
O comandante Fravor abandonou a lenta descida circular e foi em direção ao objeto.

Mas então o objeto se afastou. “Acelerou como nada que eu já tivesse visto”, disse ele. Era “bastante esquisito”.

Eles estavam prestes a encerrar a missão quando o Princeton voltou a se comunicar pelo rádio. O radar havia captado de novo o a estranha nave aérea.

“Senhor, você não vai acreditar”, disse o operador de rádio, “mas essa coisa está muito perto”.
“Estávamos a pelo menos 74 km de distância e, em menos de um minuto, essa coisa já estava na nossa frente”, disse o comandante Fravor, que se aposentou da Marinha.

Quando os dois aviões de combate chegaram ao ponto de encontro, o objeto havia desaparecido. Os caças voltaram para o Nimitz, onde todos já estavam sabendo do encontro do Comandante Fravor e se divertiam com ele.

Os superiores do comandante Fravor não investigaram mais e continuaram com sua carreira, indo para o Golfo Pérsico a fim de prestar apoio aéreo às tropas terrestres durante a Guerra do Iraque. Mas ele se lembra do que disse naquela noite para um colega piloto que lhe perguntou o que ele pensava ter visto. “Não faço ideia do que foi que vi”, o comandante Fravor respondeu ao piloto. “Não tinha plumas, asas ou rotores, mas ultrapassou nossos F-18”. E acrescentou: “Eu queria voar em um”.

“Internacionalmente, somos o país mais atrasado do mundo nessa questão”, disse Roebrt Bigelow em uma entrevista. “Nossos cientistas têm medo de ser condenados ao ostracismo e nossa imprensa tem medo do estigma. China e Rússia são muito mais abertas e trabalham nessa questão com grandes organizações. Países menores como Bélgica, França, Inglaterra, e países da América do Sul como Chile são muito mais abertos também. São proativos e dispostos a discutir o assunto, ao invés de recuarem em razão de um taboo juvenil”. / Tradução de Claudia Bozzo

Mais conteúdo sobre:

OVNIPentágonoDepartamento de Defesa