A política de ‘uma só China’ e a crise com os EUA
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A política de ‘uma só China’ e a crise com os EUA

Trump conversou com Xi Jinping e afirmou que vai reconhecer o princípio que proíbe quaisquer relações diplomáticas com Taiwan

Redação Internacional

10 Fevereiro 2017 | 16h55

Foto: Efe

Foto: Efe

Ao reconhecer o princípio de uma só China durante uma conversa telefônica com seu colega chinês Xi Jinping, o presidente americano, Donald Trump, apaziguou uma crise iniciada após receber uma ligação da presidente de Taiwan.

-O que é o princípio de uma só China?

Taiwan está – de fato – separada da China desde 1949 e do fim da guerra civil chinesa, quando as tropas nacionalistas se refugiaram na ilha, enquanto os comunistas de Mao Tsé-Tung assumiam o poder em Pequim. À época, a maioria dos países ocidentais reconhecia o governo de Taipei como representante legal da República da China.

Três décadas depois, em 1979, os EUA passaram a reconhecer a China comunista e romperam relações diplomáticas com Taiwan. Assim como os demais parceiros de Pequim, os americanos passaram a respeitar o princípio da política de “uma só China”, que proíbe quaisquer relações diplomáticas com o governo de Taiwan.

No entanto, a atitude dos EUA é a seguinte: Washington respeita seu compromisso de garantir a segurança de Taiwan e continua a fornecer equipamento militar, em detrimento de Pequim que não descarta o uso da força para restaurar sua soberania sobre a ilha, que considera como uma dos seus províncias.

-O que Donald Trump fez?

Desde 1979, nenhum presidente americano havia falado diretamente com um líder de Taiwan. Mas em 2 de dezembro de 2016, um mês depois de sua eleição, Donald Trump concordou em conversar por telefone com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. Dois dias mais tarde, longe de aliviar as tensões, Trump escreveu dois tuítes nos quais acusou Pequim de “desvalorizar sua moeda”, “taxar demais” as importações americanas e  “construir um grande complexo militar” no Mar do Sul da China.

Em 11 de dezembro de 2016, ele ameaçou na televisão não reconhecer o princípio de uma só China, a menos que os EUA fechassem “um acordo com a China para obter vantagens, inclusive no comércio.”

-Como a China reagiu? 

Em 3 de dezembro de 2016, Pequim protestou “solenemente” pelo ataque de Trump contra o princípio de uma só China e em 12 de dezembro de 2016, o governo chinês lançou um primeiro aviso sobre uma possível deterioração nas relações com Washington.

Enquanto isso, a imprensa de Pequim pediu que o governo fortalecesse seu arsenal militar, especialmente nuclear, “para forçar os EUA a respeitar a China”. Desde a posse de Trump, no dia 20 de janeiro, a nova administração e o regime chinês não mantinham relações, de acordo com fontes diplomáticas em Pequim.

Segundo um artigo do New York Times publicado pouco antes do anúncio do telefonema entre os dois presidentes, Xi havia proibido qualquer contato de alto nível com Washington, enquanto o seu colega não reconhecesse o princípio de uma só China.

-Tudo está resolvido entre Pequim e Washington?

Não. As autoridades chinesas estão especialmente atentas à política orçamentária de Trump, que durante sua campanha ameaçou aumentar em 45% a taxa alfandegária de  importação dos produtos chineses, após acusar Pequim de “roubar” milhões de empregos dos EUA.

Além da questão Taiwan, China e EUA se enfrentam em diversas questões no plano estratégico, como as aspirações de Pequim no Mar do Sul da China, o programa nuclear norte-coreano e a aliança entre Washington e Japão, grande rival regional do gigante asiático.

O fato de Trump ter nomeado como embaixador em Pequim Terry Branstad, um conhecido de Xi Jinping, pode, talvez, melhorar as relações. /AFP

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