A questão dos assentamentos em Israel
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A questão dos assentamentos em Israel

Quatro importantes questões dominam o conflito entre israelenses e palestinos e são considerados os mais difíceis de se chegar a um ponto comum nas complexas negociações

Redação Internacional

15 Fevereiro 2017 | 05h00

Quatro importantes questões dominam o conflito entre israelenses e palestinos e são considerados os mais difíceis de se chegar a um ponto comum nas complexas negociações: o status de Jerusalém; os refugiados palestinos (e seu direito de retorno), fronteiras e assentamentos. Saiba mais sobre o último ponto, segundo um guia divulgado pela TV americana CNN:

JER07 JERUSALÉN (ISRAEL), 02/11/2011.- Fotografía de archivo fechada el pasado 2 de noviembre de 2011 que muestra las obras de un asentamiento judío en el barrio de Har Homa, en el este de Jerusalén Israel. La UE estableció nueva directriz de carácter vinculante para todos los Estados miembros que prohíbe cualquier financiación, cooperación o concesión de galardones a residentes en asentamientos judíos de Cisjordania y Jerusalén Este. EFE/Abir Sultan

Assentamento na Cisjordânia. Foto: Abir Sultan/EFE 

O que são os assentamentos?
Assentamentos são cidades, municipalidades e vilarejos israelenses construídos na Cisjordânia e nas Colinas do Golan. Eles tendem a ser comunidades fechadas com guardas armados em suas entradas. São considerados assentamentos porque Israel é tido como uma força ocupante nos territórios. Trata-se de terra dos palestinos que, assim como a comunidade internacional, consideram o território parte de seu futuro Estado.

Por que a Cisjordânia e Jerusalém Oriental são considerados territórios ocupados?
Em 1967, Israel deu início à ocupação da Cisjordânia e Jerusalém Oriental durante a Guerra dos Seis Dias. Vendo um acúmulo militar nos países árabes circunvizinhos, Israel lançou um ataque preventivo contra o Egito, que depois foi revidado com um contra-ataque da Jordânia. Israel anexou Jerusalém Oriental pouco depois, unificando a cidade sob autoridade de Israel, sem nunca, no entanto, anexar a Cisjordânia, que continuou sob sua lei militar.

Como é administrada a Cisjordânia?
Decisões na Cisjordânia são tomadas pelo Exército israelense, não por um governo civil. O Exército israelense decide questões, por exemplo, como o uso da terra, liberdade de movimento dos palestinos, demolições de casas, entre outros. Antes de 1967, Jerusalém Oriental e Cisjordânia estavam sob ocupação da Jordânia. O país anexou o território em 1950, mas alguns países reconheceram a anexação como legal. A Jordânia renunciou ao território em 1988, reconhecendo a Organização Pela Libertação da Palestina (OLP) como represente do povo palestino.

O que defendem os israelenses?
Israelenses que apoiam o movimento por assentamento, entre outros, contestam o argumento de que a Cisjordânia seja um território ocupado. Eles se referem à Cisjordânia como Judeia e Samaria, seus nomes bíblicos. Há outros que apoiam essa teoria, incluindo os cristãos evangélicos. A opinião se opõe ao consenso internacional de que a Cisjordânia é um território ocupado.

Onde estão os assentamentos?
Há 126 assentamentos na Cisjordânia (excluindo os de Jerusalém Oriental), de acordo com um relatório do Escritório Central Israelense de Estatísticas de setembro de 2016. Geograficamente, esses assentamentos estão por todo o território da Cisjordânia. O território é dividido em Áreas – A, B e C – segundo os Acordos de Oslo, a série de tratados de paz alcançados nos anos 90.

Quais as diferenças entre as áreas?
A Área C abrange aproximadamente 60% da Cisjordânia. Essa área está totalmente sob controle israelense. A maioria dos assentamentos estão localizados na Área C. A Área B está sob controle compartilhado entre Israel e a Autoridade Palestina e compreende aproximadamente 20% da Cisjordânia. A Área A está sob total controle da Autoridade Palestina. Esta área equivale a 20% do restante do território. A maioria dos colonos vive nos chamados “blocos de assentamento”. Essas são áreas que têm um alto número de colonos judeus. Os três blocos principais são o de Ariel, no norte, Ma’ale Adumim, perto de Jerusalém, e Gush Etzion, no sul da Cisjordânia.