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A semana em sete notícias

Redação Internacional

29 Maio 2010 | 07h00

Leia abaixo as principais notícias da semana:

Domingo, 23 de maio – Aos olhos de diplomatas brasileiros, o maior – e mais improvável – afago à atuação do País no Irã veio do jornal britânico Financial Times. Em editorial, o prestigiado diário liberal defendeu que o acordo nuclear turco-brasileiro com Teerã, independentemente de seu resultado, prova que o Brasil tornou-se uma “ponte” entre o Ocidente e “os emergentes”. A Turquia, do outro lado, serviu de elo entre os ocidentais e “o mundo islâmico”. O diagnóstico do jornal foi uma boa notícia para o Itamaraty. Entrar na seara iraniana, acreditam os diplomatas, é apenas mais uma maneira de reafirmar que o Brasil de hoje é um ator global pleno, cuja influência pode determinar rumos em todo o mundo. Críticos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, definem esse raciocínio com uma palavra: megalomania.

Segunda-feira, 24 de maio – Uma mistura de disputas seculares por fronteiras, instabilidade econômica e presidentes imprevisíveis está dando um nó de pelo menos US$ 274 bilhões no comércio de energia da América do Sul. O embaraço ameaça frear o desenvolvimento de uma região que poderia não apenas ser autossuficiente, mas aumentar suas exportações de gás, petróleo e biocombustíveis em um século que será marcado pela escassez de energia não-renovável. Apesar da fartura de suas reservas, os governos sul-americanos vivem perdidos em um roteiro de apagões elétricos, racionamento e crise que afasta investidores estrangeiros e castiga seus próprios consumidores. Nem a riqueza de recursos hídricos e o pioneirismo do biodiesel foram capazes de reverter esse quadro.

Terça-feira, 25 de maio – Coreia do Sul anuncia pesadas medidas de retaliação contra a Coreia do Norte, país que responsabiliza pelo ataque a um navio de guerra em 26 de março que provocou a morte de 46 marinheiros sul-coreanos. A mais dura delas é a interrupção de quase todo o comércio bilateral, o que deverá agravar ainda mais a situação econômica da empobrecida Coreia do Norte, que destina 38% de suas exportações para o vizinho do Sul.

Quarta-feira, 26 de maio – A Coreia do Norte anuncia o rompimento de todos os laços com a Coreia do Sul e ameaçou o vizinho com uma ação militar caso o país continue a invadir as águas sob seu domínio na costa oeste. Um acordo de não-agressão entre as duas Coreias também é cancelado por Pyongyang, que anunciou ainda a expulsão de trabalhadores sul-coreanos do parque industrial de Kaesong.

Quinta-feira, 27 de maio – O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, insta os EUA a aceitar o acordo de troca de urânio por combustível nuclear assinado com Brasil e Turquia, dizendo se tratar da “última oportunidade” de diálogo. “O presidente (Barack) Obama precisa saber que essa é uma oportunidade histórica”, disse Ahmadinejad. “Se Obama não aproveitá-la, os iranianos não lhe darão outra.”

Sexta-feira, 28 de maio – A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deixa claro que o Irã está azedando a relação entre Brasil e EUA. “Certamente temos uma divergência muito séria em relação à diplomacia do Brasil com o Irã”, disse Hillary. Segundo ela, o caminho pregado pelo Brasil, de prolongar negociações em vez de aplicar sanções pela ONU, “deixa o mundo mais perigoso”.

Sábado, 29 de maio – Os EUA qualificam que o acordo mediado por Brasil e Turquia com o Irã de “inaceitável” e informaram que a carta enviada pelo presidente Barack Obama ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se consistia em “instruções para negociação”. Contradizendo o Itamaraty, o governo americano afirmou ainda que o chanceler Celso Amorim “sabia perfeitamente” que o acordo de troca de combustível com o Irã, fechado no dia 17, não levaria os EUA a desistirem das sanções contra Teerã.