Apertos de mão históricos que mudaram o mundo
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Apertos de mão históricos que mudaram o mundo

Os líderes de Coreia do Norte, Kim Jong-un, e Coreia do Sul, Moon Jae-in, se cumprimentaram nesta sexta-feira em histórica cúpula dos dois países; relembre outros apertos de mão entre líderes mundiais que tiveram importância na relação dos governos

Redação Internacional

27 Abril 2018 | 12h03

SEUL – Quando o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, apertou a mão do líder norte-coreano Kim Jong-un nesta sexta-feira, 27, na linha de demarcação da Zona Desmilitarizada, ambos uniram simbolicamente a península, que está dividida há várias décadas.

A seguir uma retrospectiva de outros apertos de mão que marcaram um ponto de inflexão em seu tempo:

• Sadat e Begin em 1977

Em 19 de novembro de 1977 o presidente egípcio Anwar al-Sadat foi o primeiro chefe de Estado árabe a visitar Israel desde sua fundação em 1948. Esta visita aconteceu após quatro guerras entre árabes e israelenses.

Premiê israelense Menachem Begin recebe o presidente egípcio Anwar Sadat perto de Tel-Aviv (Milner Moshe/Government Press Office)

Premiê israelense Menachem Begin recebe o presidente egípcio Anwar Sadat perto de Tel-Aviv (Milner Moshe/Government Press Office)

Sadat desembarcou no aeroporto de Lod, perto de Tel-Aviv, para uma visita de 43 horas. Na pista de pouso, era aguardado pelo colega israelense Efraim Katzir e o primeiro-ministro Menahem Begin. Os três apertaram as mãos, quase invisíveis atrás de uma multidão de fotógrafos e seguranças.

A viagem histórica a Jerusalém abriu o caminho para os Acordos de Camp David, que possibilitaram a assinatura em março de 1979 do tratado de paz entre Israel e Egito, que foi o primeiro acordo assinado entre o Estado judeu e seus vizinhos.

Sadat, muito criticado em seu próprio país, foi assassinado por um islamita em 1981.

• Arafat e Rabin em 1993

Depois de meses de negociações secretas na Noruega, o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o líder palestino Yaser Arafat apertaram as mãos no jardim sul da Casa Branca, em 13 de setembro de 1993, diante do presidente americano Bill Clinton.

Com Bill Clinton ao centro, premiê de Israel Yitzhak Rabin (E) aperta as mãos do líder palestino Yaser Arafat no jardim da Casa Branca (REUTERS/Gary Hershorn)

Com Bill Clinton ao centro, premiê de Israel Yitzhak Rabin (E) aperta as mãos do líder palestino Yaser Arafat no jardim da Casa Branca (REUTERS/Gary Hershorn)

Na ocasião foi estabelecida a declaração de princípios para uma autonomia palestina transitória de cinco anos.

Clinton se virou então para Rabin e apertou sua mão e depois fez o mesmo com Arafat. Em seguida, o presidente americano abriu os braços e criou o espaço para que Arafat e Rabin dessem um aperto de mãos que entrou para a história, muito aplaudido pelos presentes.

Rabin foi assassinado um ano depois por um extremista judeu contrário ao processo de paz, que no ano seguinte começou a perder força.

• Chávez e Obama em 2009

Em 17 de abril de 2009, Barack Obama e o presidente venezuelano Hugo Chávez, grande crítico da política americana, apertaram as mãos de forma inesperada no início da Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago.

Barack Obama e Hugo Chávez trocaram um rápido cumprimento antes da cerimônia de abertura da Cúpula das Américas, em 2009 (REUTERS/Miraflores Palace/Handout)

Barack Obama e Hugo Chávez trocaram um rápido cumprimento antes da cerimônia de abertura da Cúpula das Américas, em 2009 (REUTERS/Miraflores Palace/Handout)

O breve encontro ganhou as manchetes em todo o mundo e rendeu muitas críticas do Partido Republicano ao presidente americano.

O cumprimento, no entanto, não provocou nenhuma mudança nas relações entre Washington e Caracas.

• Rainha Elizabeth e Martin McGuinness em 2012

Em um gesto fundamental do processo de paz na Irlanda do Norte, a rainha Elizabeth II se reuniu com Martin McGuinness, ex-comandante do grupo armado IRA que durante anos enfrentou o Exército britânico.

A rainha Elizabeth II se reuniu com Martin McGuinness, ex-comandante do grupo armado IRA, em gesto fundamental para a paz na Irlanda do Norte (REUTERS/Paul Faith/pool)

A rainha Elizabeth II se reuniu com Martin McGuinness, ex-comandante do grupo armado IRA, em gesto fundamental para a paz na Irlanda do Norte (REUTERS/Paul Faith/pool)

O IRA desejava acabar com a presença britânica na província e, para isto, queria uma união com a República da Irlanda. Posteriormente McGuinness, falecido em 2017, se tornou um dos líderes que negociaram o fim da violência.

McGuinness, que na época era vice-ministro principal da Irlanda do Norte, apertou a mão da rainha quando a soberana visitou a província em 2012.

• Obama e Raúl Castro em 2013

No funeral de Nelson Mandela em 2013, o presidente americano Barack Obama e o líder cubano Raúl Castro apertaram as mãos, um gesto simbólico dos governantes de dois países que durante décadas foram grandes inimigos.

O primeiro cumprimento de Obama e Raúl foi tão rápido que quase não foi flagrado pela imprensa que acompanhava o velório de Mandela (REUTERS/SABC via Reuters TV)

O primeiro cumprimento de Obama e Raúl foi tão rápido que quase não foi flagrado pela imprensa que acompanhava o velório de Mandela (REUTERS/SABC via Reuters TV)

Em poucos meses, um rápido degelo foi registrado e, em julho de 2015, as relações diplomáticas plenas foram restauradas após mais de meio século de inimizade.

Obama visitou Cuba em 2016, na primeira viagem de um presidente americano à ilha em 88 anos. Washington aliviou o embargo sobre a ilha e as companhias aéreas americanas começaram a viajar para Havana em novembro de 2016.

• Santos e Timochenko em 2015

Em 23 de setembro de 2015 em Havana, o presidente colombiano Juan Manuel Santos e o líder da guerrilha das FARC Rodrigo Londoño, conhecido como Timoleón Jiménez ou Timochenko, estabeleceram o pacto de justiça, que era parte dos diálogos de paz, com um aperto de mãos, na presença do líder cubano Raúl Castro.

Com mediação de Raúl Castro, Juan Manuel Santos (E) e Rodrigo Londoño, o Timichenko, selam o acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc (EFE/Alejandro Ernesto)

Com mediação de Raúl Castro, Juan Manuel Santos (E) e Rodrigo Londoño, o Timichenko, selam o acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc (EFE/Alejandro Ernesto)

O momento aconteceu após três anos de negociações de paz entre o governo colombiano e a guerrilha, agora transformada em partido político. / AFP