Arqueólogo acredita que túmulo da rainha Nefertiti está escondido em tumba de Tutancamon
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Arqueólogo acredita que túmulo da rainha Nefertiti está escondido em tumba de Tutancamon

Se for comprovada, a descoberta será a mais significativa do século e ajudará a entender parte do misterioso período da história do Egito

Redação Internacional

01 Outubro 2015 | 11h34

CAIRO – Um escaneamento de alta resolução sugere que o túmulo do rei Tutancamon, do Antigo Egito, contém passagens para duas câmaras ocultas, incluindo uma que poderia ser o túmulo da rainha Nefertiti, segundo avaliação de um arqueólogo britânico.

Se comprovada, a descoberta será a mais significativa do século e lançará luz sobre o que continua a ser um período misterioso da história egípcia, apesar do frenético interesse internacional.

Sarcófago dourado do rei Tutancamon no Vale dos Reis, a 500 km de Cairo

Sarcófago dourado do rei Tutancamon no Vale dos Reis, a 500 km de Cairo (AFP PHOTO/KHALED DESOUKI)

Nefertiti, cuja beleza do rosto foi imortalizada num busto feito há 3.300 anos, agora em exibição em um museu de Berlim, morreu no século 14 a. C.

O egiptólogo britânico Nicholas Reeves disse em entrevista coletiva no Cairo nesta quinta-feira, 1, que acredita que o mausoléu de Tutancamon tenha sido originalmente ocupado por Nefertiti, considerada por especialistas a sua madrasta, e que seus restos ficaram intocados por trás do que ele acredita ser uma parede divisória de mais de 3.000 anos.

“Se é verdade, estamos diante de uma descoberta que ofuscaria a própria descoberta de Tutancamon”, disse o ministro egípcio de Antiguidades, Mamdouh Damaty, a repórteres. “Esta seria a descoberta mais importante do século 21.”

Reeves disse que imagens feitas com radar e câmeras térmicas podem ajudar a determinar se há mesmo salas secretas escondidas atrás da câmara mortuária de Tutancamon e o que elas guardam. De acordo com Damaty, o próximo passo seria a realização de estudos de radar no local, que poderiam começar dentro de um a três meses.

O rei Tut, como é carinhosamente conhecido, morreu por volta de 1323 a. C. Sua tumba intacta, com sua famosa máscara mortuária de ouro, foi descoberta no Vale dos Reis, em 1922, por outro egiptólogo britânico, Howard Carter.

Há muito tempo especialistas têm procurado entender por que o túmulo de Tutancamon era menor do que o de outros faraós e por que seu formato se assemelha mais ao das rainhas egípcias da época.

Egiptólogos não sabem determinar onde Nefertiti morreu e o local onde foi sepultada. Por muito tempo acreditou-se que ela morreu durante o reinado do marido, Aquenáton (Amenófis IV), o que sugere que ela possa ter sido enterrada em Amarna, onde o seu busto foi encontrado em 1912. Mais recentemente, a maioria dos especialistas, incluindo Reeves, passou a acreditar que ela sobreviveu a Aquenáton, mas mudou de nome e pode ter governado o Egito por um breve período. /REUTERS