As divergências entre Trump e Putin
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As divergências entre Trump e Putin

Sob a sombra do conflito na Síria e das acusações de ingerência russa na eleição americana, presidentes de EUA e Rússia se reuniram pela primeira para tentarem aproximar seus países, como o republicano prometeu na campanha à Casa Branca

Redação Internacional

07 Julho 2017 | 15h03

Síria, Ucrânia, acusações de ingerência russa na eleição americana: os principais assuntos de divergência entre Donald Trump e Vladimir Putin, que se reuniram pela primeira vez nesta sexta-feira, 6, à margem do G-20 na Alemanha.

As relações entre os dois países estão em seu nível mais baixo, distante das promessas de campanha de Donald Trump de uma aproximação.


• Síria, litígio máximo

Donald Trump irritou Moscou ao ordenar a primeira resposta americana contra o regime sírio, aliado de Moscou, após um ataque químico em 4 de abril imputado às forças de Bashar Assad.

Putin (E) e Trump se reúnem em Hamburgo nesta sexta-feira, 6, à margem da cúpula do G-20 (AFP PHOTO / SPUTNIK / Mikhail KLIMENTIEV)

Putin (E) e Trump se reúnem em Hamburgo nesta sexta-feira, 6, à margem da cúpula do G-20 (AFP PHOTO / SPUTNIK / Mikhail KLIMENTIEV)

O presidente americano considerou ser “possível” que os russos estivessem cientes do ataque e tratou o presidente sírio de “açougueiro” e “animal”. Ele prometeu novas represálias em caso de novos ataques químicos.

A destruição de um avião sírio pelos Estados Unidos em 18 de junho, descrito como “agressão” por parte da Rússia, também adicionou combustível ao fogo.

Os americanos também temem a crescente rivalidade entre as forças que apoiam no terreno na Síria e o Exército do regime, num momento em que a batalha de Raqqa, último grande reduto do Estados Islâmico (EI) no país, se acirra.

Pelas mesmas razões, no entanto, Trump que fez da luta contra a EI uma prioridade, poderia ser tentado a procurar um terreno comum com Moscou antes de avançar para uma desescalada na Síria.

• Ingerência russa, veneno lento

As promessas de aproximação também foram afetadas pelas acusações de conluio entre a Rússia e membros da equipe de campanha de Donald Trump. Várias investigações, incluindo uma conduzida pelo FBI, estão em curso sobre estas ligações com a Rússia.

Trump nega as acusações vigorosamente. No entanto, ele admitiu na quinta-feira em Varsóvia que a Rússia – e talvez outros países – pode ter interferido na eleição americana.

Em outubro de 2016, todas as agências de inteligência dos EUA confirmaram publicamente uma ingerência de Moscou. Em janeiro de 2017, chegaram a dizer que Vladimir Putin lançou a ordem.

• Ucrânia e sanções

No final de março, a nova administração americana condenou a “agressão” russa contra Kiev, referindo-se à anexação da Crimeia e ao suposto apoio russo aos rebeldes separatistas no leste da Ucrânia.

Em 20 de junho, os EUA anunciaram um reforço das sanções contra a Rússia para “manter a pressão” no caso da Ucrânia.

Moscou nega qualquer apoio militar aos rebeldes pró-russos e, aproveitando-se da cúpula do G-20, disse que as sanções americanas eram comparáveis a um protecionismo mascarado.

• Coreia do Norte, nova linha vermelha

Donald Trump prometeu uma resposta “severa” após o teste na terça-feira pela Coreia do Norte de um míssil balístico intercontinental, capaz de atingir o Alasca segundo especialistas, e exigiu novas sanções contra Pyongyang.

Já a Rússia bloqueou um projeto americano de declaração do Conselho de Segurança da ONU, pedindo “medidas significativas” contra Pyongyang.

• Fricções sobre a Otan

Moscou percebe toda expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como um sinal de agressão. Em várias ocasiões, os russos consideraram que um aumento das forças da Aliança Atlântica nos países bálticos, na fronteira russa, afetava o equilíbrio de forças.

Por sua vez, o presidente americano pediu que a Otan se concentre principalmente nas “ameaças da Rússia”, durante uma cúpula da Aliança no final de maio em Bruxelas. / AFP