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As origens da disputa interna do Partido Republicano

Redação Internacional

06 Outubro 2015 | 05h00

A saída do republicano John Boehner da presidência da Câmara dos Representantes é resultado de uma cisão entre moderados e a ala mais radical do Tea Party, irritada com a disposição ocasional de Boehner de fazer acordos com a Casa Branca. Essa cisão, hoje tão prenunciada no Partido Republicano, tem suas origens nos anos 60 e na atuação de um homem: Roger Miliken.

Magnata dos tecidos na Carolina do Sul, Miliken foi um importante financiador do partido ainda nos anos 60. Seu apoio financeiro e intelectual possibilitou ao partido tirar o Estado do controle democrata, que vigorava desde o século 19, e expandir sua popularidade por todo o sul dos Estados Unidos.

A chamada “estratégia sulista” patrocinada por Miliken foi apontada por analistas como um dos fatores que levou Richard Nixon e Ronald Reagan à presidência nos anos 70 e 80. Ele apoiou a candidatura de Barry Goldwater à presidência ainda nos anos 60 e fundou a influente Freedom School.

Um dos maiores feitos de Miliken foi unir as diversas facções do partido: empresários, liberais contrários à intervenção do Estado na vida da população e conservadores que acreditavam, em maior ou menor grau no livre comércio e na livre iniciativa.

Com a ascensão do Tea Party, o partido voltou a cindir-se em suas contradições internas, das quais a saída de Boehner do comando da Câmara é um exemplo. O desafio dos republicanos em 2016 é manter a coesão.

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