Cinco momentos importantes da crise na Venezuela
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Cinco momentos importantes da crise na Venezuela

Chavistas e opositores se enfrentam novamente nas ruas em mais um capítulo da instabilidade no país, tanto no setor político quanto econômico; relembre os últimos acontecimentos

Redação Internacional

19 Abril 2017 | 13h09

CARACAS – O chavismo e a oposição voltam a se enfrentar nesta quarta-feira, 19, em novas manifestações em Caracas, em mais um episódio da crise política e econômica que tem acompanhado o governo de Nicolás Maduro.

Veja abaixo cinco momentos importantes da crise venezuelana.

As manifestações na Venezuela já deixaram 6 mortos e mais de 200 feridos (Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins)

As manifestações na Venezuela já deixaram 6 mortos e mais de 200 feridos (Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins)

Morte de Chávez

O então presidente Hugo Chávez, fundador da “revolução bolivariana”, morreu de câncer no dia 5 de março de 2013. Maduro, que era seu vice e sucessor, venceu as eleições seguintes por uma margem estreita de votos sobre o líder opositor Henrique Capriles.

Queda do preço de petróleo

O preço do petróleo bruto, que chegou a valer US$ 100 o barril, começou a cair em 2014 até chegar a US$ 33 em 2016. Esse colapso reduziu drasticamente as importações do país e deu início à escassez de alimentos, medicamentos e insumos para a indústria, em meio a um duro controle de preços e de câmbio pelo governo. Junto à deterioração econômica, a oposição radical, liderada por Leopoldo López, voltou às ruas para exigir a renúncia de Maduro. Os protestos deixaram 43 mortos entre fevereiro e maio daquele ano. Acusado de estimular a violência, López cumpre pena de quase 14 anos de prisão.

Derrota nas eleições parlamentares

Em meio ao desastre econômico, o chavismo sofreu seu pior revés em 17 anos de governo ao perder de forma esmagadora as eleições parlamentares. Com isso, começou uma severa crise institucional no país: o governo, com o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e outros poderes públicos acusados de servir ao chavismo se enfrentavam no Parlamento.

Tentativa de tirar Maduro do poder

O TSJ retirou os poderes do Legislativo opositor ao considerar o Parlamento “em desacato” e anular todas as suas decisões. A oposição tentou buscar um referendo para tirar Maduro do poder, mas o CNE suspendeu o processo sob acusações de “fraude” na coleta das assinaturas necessárias. As eleições para governadores, previstas para 2016, foram adiadas para o ano seguinte. A oposição convocou diversos protestos, mas a pressão diminuiu quando foi aceito um diálogo com o governo, promovido pelo Vaticano, a um alto custo político. Em dezembro, os opositores paralisaram as negociações ao acusar o governo de não cumprir com os acordos.

Pressão internacional

No fim de março, o TSJ assumiu as funções do Parlamento e retirou a imunidade dos deputados, decisão considerada pela oposição um “golpe de Estado”. Paralelamente, a Controladoria-Geral inabilitou Capriles de exercer cargos públicos durante 15 anos. Após forte pressão internacional, a decisão do TSJ foi anulada parcialmente. Contudo, a oposição foi às ruas em abril para exigir a destituição dos magistrados, a autonomia do Parlamento e eleições gerais. O governo descarta uma antecipação das eleições presidenciais, agendadas para dezembro de 2018. As manifestações já deixaram 6 mortos e mais de 200 feridos. / AFP