Confira os sindicatos que compõem o Quarteto vencedor do Nobel da Paz
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Confira os sindicatos que compõem o Quarteto vencedor do Nobel da Paz

Grupo é formado pela União Geral Tunisiana do Trabalho, União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato, Liga Tunisiana dos Direitos Humanos e Ordem dos Advogados da Tunísia

Redação Internacional

09 Outubro 2015 | 16h16

O Quarteto Nacional de Diálogo Tunisiano foi formado com o intuito de estabelecer pontes entre o partido islamista Ennahda e a oposição laica, de forma a retirar o país de uma profunda crise política iniciada em 25 de outubro de 2013, que pôs em risco o sucesso da abertura democrática.

Saiba quem integra o Quarteto, de acordo com a descrição do Carnegie Endowment for International Peace:

Vencedores do Nobel da Paz 2015

Vencedores do Nobel da Paz 2015

União Geral Tunisiana do Trabalho (UGTT, na sigla em francês)

Seu fundador Farhat Hached formou a UGTT em 20 de janeiro de 1946 após deixar o sindicato francês de inclinação comunista Confederação Geral do Trabalho por estar discontente pela falta  de apoio aos tunisianos em sua luta para conquistar a independência da Frânca. Desde o início, a UGTT tem sido mais do que um sindicato trabalhalista. O assassinato de seu fundador, em 1952 (atribuída frequentemente aos serviços de inteligência francês) desencadeou revoltas pelo continente. Sob a liderança de Hached, durante as presidências de Habib Bourguiba e Zine el-Abidine Ben Ali, foi visto como próximo dos partidos em governo, mas o UGTT detém mais independnência do que qualquer outro sindicato trabalhista árabe. Com seus 517 mil associados e múltiplas estruturas locais, a UGTT foi a única instituição que fez frente a Ben Ali e seu partido RCD na presença diária na vida dos tunisianos. Na visão de muitos tunisianos, a UGTT tem mais legitimidade e os representa melhor do que qualquer outro partido político pós-revolução.

União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato (UTICA, na sigla em francês)

Equivalente patronal da UGTT, a Utica uniou-se à união trabalhista pela primeira vez desde a independência da Tunísia, em 1956. Formada em 1947, a Utica representa cerca de 150 mil companhias privadas na Tunísia de todos os setores, com exceção do turismo, financeiro e bancário. A maioria das companhias é de pequeno e médio porte. Liderada por comitês especiais. Ela constitui uma ‘player’ na integração e desenvolimento econômico do país, apoiando ao mesmo tempo as atividades de negócio nos mercados regionais e internacionais. Em um texto publicado no site da organização, a presidente da Utica,

Wided Bouchamaoui, afirma que a entidade acredita na revolução dos jovens e trabalha para contribuir que seus objetivos sejam alcançados. Por isso, defende “trabalho decente para todos os cidadãos, reforço das condições de vida para todos, livre de discriminação, desigualdade e marginalização”.

Liga Tunisiana dos Direitos Humanos (LTDH, na sigla em francês)

A LTDH foi Fundada em 1976 por um grupo de liberais, entre os quais juristas, médicos, jornalistas e advogados. Seus integrantes eram constantemente ameaçados durante o governo do presidente Ben Ali. Na década de 90, o ditador fechou escritórios regionais do grupo e substituiu líderes locais por políticos de seu próprio partido. “Me lembro de uma reunião secreta na casa de alguém”, diz o vice-presidente Ali Ziddini. “Havia seguranças cercando o prédio, e eles revistavam até mesmo as crianças, pois elas poderiam levar mensagens. Depois da Revolução, lutamos em duas frentes: tínhamos de lidar com a população reclamando de Ben Ali e, ao mesmo tempo, nos reconstruir e começar do zero”, conta. A Liga lutou por causas modernas, como o fim da pena de morte, o reconhecimento do direito de greve, o direito ao voto feminino e a legalização do aborto. O grupo é um dos defensores dos direitos humanos mais antigos da África e da Ásia.

Ordem dos Advogados da Tunísia

Fundada em 1887, a Ordem dos Advogados da Tunísia é o membro mais antigo entre os integrantes do Quarteto. Absorvendo princípios constitucionais e valores republicanos enquanto estudavam na França, muitos advogados tunisianos ajudaram a liderar a luta por independência. É conhecida por ser a primeira associação independente de direitos humanos no mundo árabe. Foi um dos primeiros grupos que a entrar nos protestos que derrubaram o ditador Bem Ali e ajudou na organização das eleições da Assembleia Constituinte. Antes da eleição, a instituição convocou sessões de treinamento para advogados nas cidades de Túnis, Sousse, Sfax.  Nessas sessões, os advogados aprenderam as melhores práticas em matéria de direito eleitoral e como operar sob a nova Lei Eleitoral da Tunísia. A organização lançou recentemente uma iniciativa que proporciona assistência jurídica  aos cidadãos tunisinos.

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