Conheça alguns dos favoritos ao Nobel da Paz em 2017
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Conheça alguns dos favoritos ao Nobel da Paz em 2017

Especialistas e estudiosos revelam quem são seus favoritos para a premiação, cujo vencedor será divulgado na sexta-feira, 6

Redação Internacional

05 Outubro 2017 | 16h10

OSLO – O vencedor do prêmio Nobel da Paz de 2017 será divulgado na sexta-feira, 6, às 6 horas (horário de Brasília). Em um momento em que a crise norte-coreana ganha contornos de Guerra Fria, uma das apostas é que o prêmio poderia recompensar esforços contra a proliferação de armas atômicas.

+ Infográfico: todos os vencedores do Nobel da Paz


A tarefa de imaginar quem pode ser o premiado, mesmo para especialistas em assuntos internacionais, é difícil já que a única informação conhecida é que neste ano são considerados 318 candidatos.

Vencedor do Nobel da Paz em 2016, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, aceita a premiação em cerimônia na prefeitura de Oslo, em dezembro (Haakon Mosvold Larsen / NTB scanpix POOL via AP, File)

Vencedor do Nobel da Paz em 2016, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, aceita a premiação em cerimônia na prefeitura de Oslo, em dezembro (Haakon Mosvold Larsen / NTB scanpix POOL via AP, File)

“O comitê do Nobel chamaria a atenção se concedesse o prêmio ao acordo sobre o programa nuclear iraniano”, opina Asle Sveen, historiador do prêmio Nobel, que coloca entre os favoritos o ex-secretário de Estado dos EUA John Kerry e os chefes da diplomacia do Irã, Mohamed Javad Zarif, e Europa, Federica Mogherini, todos personagens-chave nas negociações concluídas em 2015.

O acordo assinado entre Teerã e seis grandes potências (Estados Unidos, Reino Unido, China, França, Rússia e Alemanha) impõe um estrito regime de vigilância sobre as instalações iranianas para garantir o caráter pacífico do programa nuclear do país em troca de um levantamento progressivo das sanções econômicas.

No entanto, o presidente americano, Donald Trump, ameaça revisar este acordo e reavivar as tensões. Trump também manteve nas últimas semanas duras trocas de acusações com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, em razão do último teste nuclear e de vários lançamentos de mísseis balísticos por parte de Pyongyang.

“Com a Coreia do Norte em jogo, é muito importante apoiar as iniciativas que protejam contra o desenvolvimento e a proliferação das armas nucleares”, defende o diretor do Instituto de Investigação para a Paz de Oslo (Prio), Henrik Urdal.

Outra possibilidade seria a Campanha Internacional para Abolição das Armas Nucleares (Ican), como suere o Conselho Norueguês para a Paz. A Ican, uma coalizão mundial de ONGs, impulsionou um tratado histórico de proibição das armas nucleares que foi adotado por 122 países em julho, apesar de ter um alcance simbólico em razão da ausência de nove potências nucleares entre os signatários.

Entre os demais favoritos, estão a agência da ONU para os refugiados, a Acnur, com seu alto comissário, o italiano Filippo Grandi, depois que o número de deslocados pelas guerras, pela violência ou pelas perseguições alcançou um novo recorde: 65,6 milhões de pessoas no mundo no ano passado – a Acnur já ganhou o Nobel da Paz em duas ocasiões: 1954 e 1981.

Peter Wallensteen, professor na Universidade de Uppsala, na Suécia, considera também entre os favoritos o médico Denis Mukwege, apelidado de “o homem que repara as mulheres” em razão dos cuidados prestados para as vítimas de violência sexual em seu país, a República Democrática do Congo.

Apesar de a lista de candidatos nunca ser revelada, seus padrinhos – parlamentares e ministros de todos os países, vencedores do prêmio, professores universitários, entre outros – podem comunicar o nome de seu favorito.

Os “capacetes brancos” sírios, conhecidos socorristas nas zonas rebeldes do país, e o papa Francisco também podem estar entre os candidatos ao Nobel da Paz deste ano.

Também são mencionados a União Americana para as Liberdades Civis (ACLU, em inglês), o blogueiro saudita preso Raif Badawi, ou vozes independentes na Rússia (Svetlana Gannushkina e o jornal Novaya Gazeta) e Turquia (o diário Cumhuriyet e seu ex-diretor Can Dundar, que está exilado).

Neste ano, o comitê norueguês do Nobel se viu enlutado em razão de duas mortes: de sua presidente Kaci Kullmann Five, vítima de um câncer de mama em fevereiro, e do dissidente chinês Liu Xiaobo, morto em julho de um câncer no fígado uma semana depois de ser colocado em liberdade condicional e sem nunca ter podido receber o Nobel ao qual foi premiado em 2010.

O comitê também viveu uma grande decepção com a líder birmanesa Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz em 1991, duramente criticada pela comunidade internacional por sua passividade diante da violência contra a minoria muçulmana rohingya em seu país. / AFP

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