Contexto e possíveis consequências de Jerusalém como capital de Israel
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Contexto e possíveis consequências de Jerusalém como capital de Israel

Analistas se perguntam como reagiriam os palestinos, as capitais e as ruas árabes ao mesmo tempo em que duvidam da capacidade dos países da região de enfrentar decisão do presidente americano, Donald Trump

Redação Internacional

05 Dezembro 2017 | 15h15

JERUSALÉM – Os países árabes e os dirigentes palestinos advertiram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o risco de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e de levar a embaixada americana para esta cidade.

Trump diz a Abbas que pretende mudar embaixada americana para Jerusalém


Apesar dos alertas, o republicano telefonou nesta terça-feira para o líder palestino Mahmoud Abbas e informou que pretende transferir a representação diplomática americana de Tel-Aviv para Jerusalém.

Palestinos e israelenses reivindicam Jerusalém como capital (AFP PHOTO / MARINA PASSOS)

Palestinos e israelenses reivindicam Jerusalém como capital (AFP PHOTO / MARINA PASSOS)

Este é o contexto e as possíveis consequências de sua decisão.

• Qual é o contexto?
Jerusalém fica no centro do conflito israelense-palestino e seu status é uma das questões mais difíceis de resolver.

O plano de divisão da Palestina de 1947, então sob poder britânico, previa sua partilha em três entidades: um Estado judeu, um Estado árabe e Jerusalém como um “corpo separado” sob regime internacional especial.

Este plano foi aceito pelos dirigentes sionistas, mas rejeitado pelos líderes árabes. Após a saída dos britânicos e a primeira guerra árabe-israelense, cria-se o Estado de Israel em 1948, que faz de Jerusalém Ocidental sua capital. Jerusalém Oriental fica sob o controle da Jordânia.

Israel toma Jerusalém Oriental durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, anexando esse território. Uma lei aprova em 1980 o status de Jerusalém como capital “eterna e indivisível” de Israel.

• Por que Jerusalém é tão importante para israelenses e palestinos?
Os judeus consideram Jerusalém sua capital histórica há mais de 3.000 anos por razões religiosas e políticas. O judaísmo sempre mencionou o retorno a Jerusalém. A cidade é a antiga capital do reino de Israel do rei David (século 10 a.C.) e mais tarde do reino judeu Asmoneu (século 2 a.C).

Os palestinos, que representam cerca de um terço da população da cidade, reivindicam Jerusalém como a capital de seu futuro Estado. Além do conflito, a questão tem uma dimensão religiosa essencial: a cidade abriga os principais lugares santos do cristianismo e do judaísmo, e é o terceiro lugar santo do islã.

• Que decisão é esperada?
A comunidade internacional não reconhece a soberania israelense em Jerusalém e considera Jerusalém Oriental como território ocupado. Todas as embaixadas estrangeiras estão em Tel-Aviv.

Em 1995, o Congresso americano adotou o “Jerusalem Embassy Act”, que pede ao Executivo a transferência da embaixada. “A cidade de Jerusalém é desde 1950 a capital do Estado de Israel”, diz o texto.

A lei é vinculante para o governo americano, mas uma cláusula permite aos presidentes adiar sua aplicação durante seis meses em virtude de “interesses de segurança nacional”.

Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama acionaram sistematicamente a cláusula a cada seis meses.

• Que decisão será adotada por Trump?
Donald Trump se comprometeu durante sua campanha a reconhecer Jerusalém “como a capital indivisível do Estado de Israel”. Seu embaixador em Israel, David Friedman, é um empenhado partidário.

Apesar de suas promessas, Trump seguiu o exemplo de seus antecessores pela primeira vez em junho, quando bloqueou a transferência. Nesta segunda, porém, ele perdeu o prazo para indicar se adiará mais uma vez ou não a implementação da medida.

Trump foi alertado por diversas partes sobre o potencial explosivo da medida, mas também está submetido à pressão de uma parte de seu eleitorado cristão favorável a Jerusalém como capital.

• Quais seriam as consequências?
O transferência da embaixada seria interpretada como um reconhecimento de Jerusalém como capital. Os analistas se perguntam como reagiriam os palestinos, as capitais e as ruas árabes. Também duvidam da capacidade dos países árabes de enfrentar Trump.

O presidente da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, se mostrou preocupado sobre o risco de alimentar “o fanatismo e a violência”.

O movimento islâmico palestino Hamas convocou uma nova Intifada caso Trump reconheça Jerusalém como capital de Israel. O secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erakat, advertiu que Estados Unidos perderiam a credibilidade em seu papel de mediador.

Uma grande parte da classe política israelense dá boas-vindas à perspectiva de um reconhecimento considerando-o como um fato histórico. / AFP