Cronologia: Uso de armas químicas na guerra na Síria
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Cronologia: Uso de armas químicas na guerra na Síria

Oposição síria convocou o Conselho de Segurança da ONU a abrir uma investigação sobre o suposto ataque químico que matou mais de 50 pessoas em Khan Shikhoun; veja casos anteriores

Redação Internacional

04 Abril 2017 | 13h09

Desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, os grupos que se enfrentam no país foram acusados frequentemente de recorrer ao uso de armas químicas. Nesta terça-feira, 4, ao menos 58 pessoas, entre elas 11 crianças, morreram e dezenas ficaram feridas em um suposto bombardeio químico na cidade de Khan Shikhoun, no sul da Província de Idlib, no norte da Síria, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Ativistas e repórteres da imprensa local também alegam que horas após o ataque houve um bombardeio ao hospital que tratava as vítimas. Veja abaixo o histórico de acusações sobre o uso de armas químicas na guerra síria.

Diversas crianças ficaram feridas no suposto ataque químico no norte da Síria (Foto: AFP PHOTO / Mohamed al-Bakour)

Diversas crianças ficaram feridas no suposto ataque químico no norte da Síria (Foto: AFP PHOTO / Mohamed al-Bakour)

Ameaça – 23 de julho de 2012


O regime sírio admite pela primeira vez possuir armas químicas e ameaça utilizá-las em caso de intervenção militar ocidental, mas não contra sua própria população. No dia 20 de agosto, o então presidente americano, Barack Obama, afirma que recorrer a tais armas, ou mesmo deslocá-las, significa cruzar uma “linha vermelha”.

Ataque com gás sarin perto de Damasco – 21 de agosto de 2013

Forças do regime atacam Ghouta Oriental e Muadamiyat al Sham, em torno da capital, setores nas mãos dos rebeldes. A oposição acusa o regime, que desmente ter lançado o ataque com gases tóxicos. No fim de agosto, os EUA afirmam ter a “clara certeza” de que o regime é responsável pelo ataque que deixou, segundo Washington, ao menos 1.429 mortos, entre eles 426 crianças. No dia 16 de setembro do mesmo ano, a ONU publica um relatório de seus especialistas que investigaram o ataque, segundo o qual foram encontradas provas flagrantes da utilização de gás sarin. Mas, dois dias antes, a assinatura de um acordo russo-americano sobre o desmantelamento do arsenal químico sírio descartou a ameaça de ataques aéreos contra o regime, cogitados por EUA e França para punir Assad.

Ataques com cloro – 10 de setembro 2014

Os investigadores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) confirmam que o cloro foi usado como arma química de forma “sistemática e reiterada” em Kafr Zeta (Província de Hama), Al Tamana e Tal Minnis (Província de Idlib). Segundo a ONG Human Rights Watch (HRW), estes ataques contra povoados sob controle dos rebeldes foram realizados em abril pelo regime. Washington, Londres e Paris acusam o Exército sírio de ter realizado há 16 meses ataques com gás cloro. Mas, para a Rússia – aliada do regime -, não existem provas irrefutáveis da culpabilidade do regime.

Novas suspeitas – 2 de agosto de 2016

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) menciona 24 casos de asfixia na cidade rebelde de Saraqeb, a 50 km ao sul de Alepo. No dia 12 de agosto, a França expressa sua “preocupação por informações” sobre um ataque químico na cidade síria realizado dois dias antes, que teria deixado quatro mortos e dezenas de feridos.

ONU acusa o regime de Damasco – 21 de outubro de 2016

O Conselho de Segurança recebe um relatório confidencial no qual se conclui que o Exército realizou um ataque com arma química – cloro – em Qmenas (Província de Idlib) no dia 16 de março. Em um relatório anterior, a comissão de investigação chamada Joint Investigative Mechanism (JIM) havia concluído que helicópteros militares lançaram gás cloro em ao menos outras duas localidades de Idlib, em Talmenes no dia 21 de abril de 2014 e em Sarmin no dia 16 de março de 2015. No total, de nove supostos ataques químicos estudados pelos especialistas, três foram atribuídos ao regime e um ao grupo jihadista Estado Islâmico, com gás mostarda, em Marea, perto de Alepo, no dia 21 de agosto de 2015.

Veto russo-chinês – 28 de fevereiro de 2017

Rússia e China impõem seu veto a uma resolução da ONU que prevê sanções contra a Síria por uso de armas químicas. No início de março, a OPAQ indicou que investigava oito supostos ataques com gás tóxico realizados na Síria desde o início do ano.

Bombardeio – 4 de abril de 2017

Oposição síria convoca o Conselho de Segurança da ONU a abrir uma “investigação imediata” sobre o suposto ataque com gás tóxico realizado, segundo ela, pelo regime de Damasco no noroeste do país, deixando menos 58 mortos. / AFP